Os sujeitos e seus contextos de aprendizagem

Título: Pedro e a acessibilidade
Fonte: Prosa (2025n).
Pedro mora no interior de uma cidade brasileira, em uma pequena proriedade rural arborizada e acolhedora. O local abriga diversos animais e uma horta agroecológica. Por ser um lugar afastado, próximo à sua casa não há transporte público; para ir até o ponto de ônibus mais próxima de sua casa, ele teria que se deslocar diversos quilômetros. Recentemente, devido a um acidente, Pedro tornou-se paraplégico e passou a utilizar uma cadeira de rodas para se locomover. Ele já se adaptou ao uso dessa tecnologia assistiva e considera a cadeira uma extensão do seu corpo – suas pernas. No entanto, no trajeto até a parada de ônibus mais próxima, não há acessibilidade e nem ônibus adaptado. Diante disso, ele sempre depende de alguém para levá-lo a outros espaços. Como ele pretende continuar seus estudos, decidiu inscrever-se em um Curso EaD na EPT, pois pretende trabalhar nessa área. Ele se sente privilegiado com essa oportunidade!
Talvez você esteja se perguntando qual o significado de algumas palavras, por isso, após a apresentação de cada sujeito e seu respectivo contexto de aprendizagem, trazemos alguns conceitos para facilitar a compreensão.
A Paraplegia é um tipo de deficiência física, caracterizada pela paralisia nos membros inferiores. O termo plegia refere-se ao comprometimento total de uma ou mais partes do corpo, podendo apresentar-se como:
- monoplegia (paralisia total em uma parte do corpo);
- paraplegia (paralisia total de duas partes do corpo - membros inferiores, geralmente da região dorsal inferior);
- triplegia (paralisia de três membros);
- tetraplegia (paralisia dos quatro membros).
O Decreto nº 5.296 de 2004 (Brasil, 2004) conceitua a deficiência física como:
![A imagem apresenta uma moça em cadeira de rodas posicionada em frente a um quadro de uma sala de aula. Ela possui um controle na mão, com o qual aponta para uma projeção com os seguintes dizeres ‘[...] alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções [...] (Brasil, 2004, p. 1).’](medias/PROD.1_ILU_11.png)
Título: O conceito de deficiência física
Fonte: Brasil (2004).
Elaboração: Prosa (2025o).
A tecnologia assistiva (TA), ou ajuda técnica, pode ser entendida como tudo o que propicia autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e pode se apresentar em diversos formatos, como: produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços (Brasil, 2015). Lupas eletrônicas, softwares leitores de tela, softwares ampliadores de tela, Língua Brasileira de Sinais (Libras), mouses e teclados adaptados, acionadores, teclado colmeia, teclado expandido e softwares de comunicação alternativa são alguns dos recursos que podem ser utilizados para essa finalidade.
Título: Exemplos de recursos de Tecnologia Assistiva
Fonte: Centro Tecnológico de Acessibilidade (CTA) - IFRS (2025).
Elaboração: Prosa (2025p).
Ter conhecimento sobre recursos de tecnologia assistiva e pessoas com deficiência é importante para a produção de materiais didáticos digitais. Você pode obter mais informações sobre esses assuntos no Portal do Centro Tecnológico de Acessibilidade do IFRS, no livro "Por uma escola Inclusiva e Acessível: conceitos e caminhos", de Sonza, Ferrari e Boeira (2023) e na dissertação "MOOCs para oferecer capacitação em tecnologia assistiva no contexto educacional", de Bruna Poletto Salton (2022).
Atividade: Você já tinha ouvido falar em tecnologia assistiva ou ajuda técnica? Conhece alguém que faz uso de recursos semelhantes aos apresentados na figura acima? Como você avalia a importância desses recursos? Registre essas informações em seu Memorial.
A Lei Brasileira da Inclusão (Lei nº 13.146/2015) conceitua assim a acessibilidade:
[...] possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida [...]
A acessibilidade propriamente dita, seja no seu contexto digital ou virtual, significa que qualquer pessoa em qualquer espaço virtual (como: sites, portais, sistemas web, objetos de aprendizagem, textos, apresentações de slides, elementos multimídia, entre outros), utilizando qualquer tipo de recurso de tecnologia assistiva, é capaz de interagir em igualdade de condições (Sonza, Ferrari e Boeira, 2023).
Em EaD, você pode encontrar os termos acessibilidade digital ou acessibilidade virtual, que funcionam como conceitos guarda-chuva que abrangem outros dois aspectos fundamentais: o da usabilidade e o da comunicabilidade.
Já a usabilidade refere-se à facilidade de navegação, inclusive quando utiliza agentes de usuário (Sonza, 2008). Os agentes de usuário referem-se "a qualquer software que obtenha e apresente conteúdos da Web aos usuários" (W3C, 2021, p. 44). Exemplos: "navegadores web, reprodutores de multimídia, plugins e outros programas, incluindo tecnologias assistivas, que ajudam a obter, apresentar e interagir com conteúdo da Web" (ibidem).
E a comunicabilidade deve garantir que a informação seja acessível a todos, oferecendo uma linguagem simples (LS), clara, direta, de fácil compreensão e evitando o uso de linguagem excessivamente rebuscada, metáforas, palavras incomuns ou de difícil compreensão (Sonza, Nascimento e Egami, 2021).
Para saber mais sobre a Linguagem Simples (LS), acesse o hiperlink.



