Material didático para EaD na EPT

Com a apresentação das personas, foi possível exemplificar e contextualizar parte do amplo espectro de perfis de estudantes e formadores presentes na EPT, evidenciando como essas características influenciam nossas decisões na produção e no uso de materiais pedagógicos para a EaD na EPT.

Assim, retomando o projeto pedagógico desse curso de especialização em EaD na EPT, no que se refere aos MDDs, torna-se importante sempre disponibilizar um material que busque abarcar essa diversidade de perfis do público direto e indireto, de modo a valorizar sua cultura, sua história, conhecer suas especificidades e considerar os marcadores sociais, econômicos, individuais e condições de acesso. Dessa modo, o curso será significativo tanto para os agentes facilitadores (formadores), que poderão inclusive ressignificar o material proposto, como para os cursistas, sem perder de vista as bases conceituais da EPT e os princípios orientadores da EaD.

Ao considerar os princípios/critérios para a produção de MDDs, é preciso ter em mente os seguintes aspectos:

  1. todos os MDDs devem ser produzidos em e para contextos específicos;
  2. os MDDs devem considerar sua usabilidade em relação ao público-alvo;
  3. os MDDs não são um fim em si mesmos, exigindo diferentes níveis de mediação e interação. 

Por fim, cabe destacar que o estudante da EaD apresenta um perfil bastante heterogêneo, muitas vezes distinto do estudante da modalidade presencial. Em geral, são adultos trabalhadores e, ao longo dos anos, tem-se observado uma mudança gradual, com o aumento da presença de jovens adultos que concluíram recentemente o ensino médio (Brasil, 2025). Esse perfil torna-se ainda mais complexo no contexto da EPT, devido à diversidade de regiões e localidades do país. Nesse sentido, a produção de materiais didáticos digitais deve contemplar tanto a elaboração quanto a avaliação de conteúdos e formas que dialoguem com esse amplo espectro de necessidades de aprendizagem. Vale lembrar que, na EaD, o material didático é elemento estrutural e mediador dos processos de aprendizagem (Brasil, 2024b).

 

Práticas inspiradoras

Seguem alguns exemplos de experiências na produção de materiais didáticos contextualizados, com formações de equipes e funções específicas (pesquisa, equipe de inclusão, entre outras) subsidiando teórico-metodologicamente a criação de produtos.

Referências sobre Materiais didáticos digitais
  • Materiais formativos produzidos no âmbito da política de formação de profissionais para a Educação Profissional e Tecnológica.
  • Plataforma do curso de especialização Educação na Cultura Digital.
  • Série de vídeos “Terminologias Recomendadas na Educação Inclusiva” – iniciativa que aborda, por meio de vídeos acessíveis (com Libras, narração, legenda etc.), os principais termos utilizados no âmbito da inclusão, apresentando, de forma contextualizada, cada uma das deficiências e necessidades educacionais específicas, além de abordar a legislação pertinente, a tecnologia assistiva e outros aspectos relevantes. 
  • Mural Digital (Padlet) acessível – plataforma que reúne os Produtos Educacionais Acessíveis produzidos por alunos do Mestrado em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS).
  • Laboratório de Educação Inclusiva (LEdI) da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC) – iniciativa que fomenta e estimula ações e estratégias voltadas para a inclusão de sujeitos com deficiência, reconhecendo-os como pertencentes e integrantes da sociedade. 

A ilustração mostra uma mão utilizando uma alça adaptável para auxiliar na escrita no caderno. Nele, lê-se: “inclusão” contornado por um coração.

Título: Tecnologia assistiva nos estudos
Fonte: Prosa (2025q).

 

Registrando em seu Memorial…

Agora que você já conhece parte da diversidade de perfis dos estudantes do curso, as características de um MDD elaborado considerando diferentes contextos de aprendizagem na EPT e algumas práticas inspiradoras, que tal explorar a web em busca de outros exemplos de materiais que atendam a esses públicos? Registre o link e sua análise em seu Memorial e/ou siga as orientações de seu professor e/ou tutor.

Chegamos ao final do capítulo 1! Ele teve como foco principal introduzir a produção de materiais didáticos digitais partindo do pressuposto de que é preciso conhecer em profundidade os perfis dos sujeitos da aprendizagem. Para isso, ele apresentou diferentes personas, certamente de um universo muito maior, a fim de exemplificar o público que pode ser esperado na oferta desses materiais. No próximo capítulo, enfocaremos a produção de MDDs e as linguagens em suas multimodalidades nos diferentes contextos de uso.