A avaliação interna: a autoavaliação institucional e seu papel na gestão democrática

O processo de autoavaliação como princípio deve ser participativo e democrático. Para o estimado teórico e professor José Carlos Libâneo (2012), a participação é o meio mais eficaz de assegurar a gestão democrática da escola, pois possibilita o envolvimento de toda a comunidade escolar e acadêmica no processo de tomada de decisões e no funcionamento da instituição. Nesse sentido, a autoavaliação não deve ser vista apenas como um procedimento burocrático, mas como um instrumento essencial para o aprimoramento contínuo da instituição. Ela deve estar integrada à cultura organizacional, garantindo que os resultados sejam utilizados para propor melhorias concretas.

Para tanto, a avaliação institucional participativa exige um planejamento minucioso, com o objetivo de diagnosticar e refletir sobre as fragilidades institucionais em todos os seus âmbitos. A partir da análise dos diferentes instrumentos aplicados e da mobilização da comunidade, os dados coletados deixam de ser apenas informações estáticas e passam a gerar mudanças significativas.

No entanto, esse é um processo que precisa ser construído e fortalecido dentro da instituição. A gestão participativa é fundamental para que a autoavaliação seja de fato um instrumento de transformação. Assim, a avaliação institucional assume um papel estratégico na reflexão sobre os processos da instituição, tal como apontam Mara de Sordi, Regiane Bertagna e Margarida da Silva (2016).

Uma avaliação institucional participativa favorece um ambiente de autorreflexão e engajamento da comunidade acadêmica, fortalecendo a busca por uma educação de qualidade socialmente referenciada. A própria participação ativa da comunidade já representa um avanço na concepção de qualidade social, pois significa que o processo avaliativo é crítico, construtivo e dialógico.

Sordi, Bertagna e Silva (2016) ressaltam a importância de disputar referenciais de qualidade educacional que não se limitem a indicadores numéricos e a testes padronizados, uma vez que é preciso lutar para estabelecer

[...] referenciais de qualidade social que ampliem a compreensão para além de indicadores e medidas produzidos em testes padronizados e reducionistas quanto à formação humana que se pretende alcançar; e que, contrariamente à lógica neoliberal [...]

(Sordi, Bertagna e Silva, 2016, p. 189).

A autoavaliação deve ser contínua, indo além da aplicação de questionários anuais, e deve promover um debate institucional permanente. Os relatórios das Comissões Próprias de Avaliação (CPAs), por exemplo, no caso das instituições de ensino superior, desempenham um papel fundamental nesse processo, garantindo que os dados coletados sejam amplamente discutidos e utilizados para aprimorar os processos pedagógicos e institucionais.

A autoavaliação institucional é um potente instrumento para a tomada de decisões e para a melhoria contínua da EPT. Para ser efetiva, ela deve estar alinhada aos princípios do tripé ensino-pesquisa-extensão, garantindo um processo formativo integral e socialmente referenciado.

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Título: Etapas da autoavaliação
Fonte: Correa (2024); Gescom (2022); Fortes (2025); Miguel (2025); Zimmermann (2021).
Elaboração: Prosa (2025d).

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