Não para encerrar, mas avançar na reflexão

Este capítulo se aproxima do fim, mas a discussão sobre a avaliação institucional continua essencial para o aprimoramento dos processos pedagógicos e de gestão, sempre com o objetivo de promover uma formação humana e integral dos sujeitos por meio de uma educação de qualidade social.

Mais do que um procedimento formal, a avaliação institucional deve ser compreendida como um movimento coletivo e de autoconhecimento institucional, indispensável para qualificar as práticas educacionais. Por isso, enfatizamos no capítulo a necessidade de deslocar o olhar sobre a avaliação institucional, deixando de vê-la apenas como um instrumento de caráter regulatório para adotá-la como uma abordagem formativa, voltada para assegurar o direito à educação de qualidade social, crítica e emancipadora, em contraposição a modelos avaliativos meramente classificatórios e quantitativos.

Também discutimos o papel da avaliação institucional interna (autoavaliação) como ferramenta fundamental para a tomada de decisões voltadas à melhoria da gestão e dos processos pedagógicos, especialmente nas instituições de EPT, mais especificamente nos cursos de EPTNM, em que as políticas de avaliação institucional ainda são incipientes – o que reforça a necessidade de torná-las parte da cultura institucional de maneira contínua, democrática e participativa, proporcionando uma visão integrada da instituição, fundamentada na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

Diante de tudo o que vimos, cabe refletirmos: como tornar o processo da avaliação interna mais significativo? Que experiências institucionais podem servir de inspiração? Quais caminhos podem fortalecer a autoavaliação como um instrumento real de transformação? A seguir, apresentamos duas práticas inspiradoras que podem contribuir para essa discussão.

  1. A primeira prática inspiradora é o processo de autoavaliação realizado pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza/SP (CPS/SP), que pode ser conferido no trabalho de Gláucia Regina Manzano Martins intitulado “A evolução da Avaliação Institucional no Centro Paula Souza do analógico ao digital: 20 anos do Sistema de Avaliação Institucional (SAI)” (2020). O texto apresenta a experiência do CPS/SP no desenvolvimento da avaliação institucional interna por meio do Sistema WebSai, desenvolvido para conduzir esse processo possibilitando a coleta, a análise e a interpretação de dados sobre diversos aspectos do ensino, da gestão e da infraestrutura das unidades da instituição. Totalmente informatizado, o WebSai permite que gestores, docentes, estudantes e funcionários participem ativamente da avaliação, fornecendo informações essenciais para a tomada de decisões e a melhoria contínua da qualidade educacional. Seu foco está na gestão e nas práticas pedagógicas, utilizando indicadores de desempenho que analisam desde os insumos disponíveis até os impactos das ações institucionais. Nas palavras da autora do texto: “ser o canal que permite dar voz àqueles que vivem a educação profissional confere ao WebSai a responsabilidade de estar pronto para se reinventar sempre e continuar servindo a essa modalidade educacional” (Martins, 2020, p. 420).

  2. A segunda prática inspiradora se trata de um produto educacional oriundo do Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica (PROFEPT) do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Porto Alegre, produzido por Fabiana Centeno Fagundes em coautoria com Clarice Monteiro Escott. Intitulado “Guia de Autoavaliação Institucional para a Educação Profissional e Tecnológica (EPT): contribuições para um percurso democrático, participativo e educacional” (2020), enfatiza a importância de uma abordagem democrática e participativa, envolvendo toda a comunidade acadêmica na reflexão e na melhoria contínua das práticas educacionais e de gestão. O material apresenta uma proposta prática para a implementação da autoavaliação institucional, detalhando fluxos e processos que podem ser adotados pelas instituições de EPT, além de apresentar um marco legal robusto sobre a avaliação institucional, em paralelo com os princípios da EPT, a partir da experiência do IFRS no desenvolvimento da autoavaliação institucional de 2004 até o momento atual. Ele está estruturado em quatro capítulos: Contextualização; Organização da Autoavaliação Institucional no Contexto da EPT; A Autoavaliação Institucional na Prática da Gestão Democrática e o Planejamento Participativo; e Proposta de Fluxos e Processos da Organização da Autoavaliação na EPT.

Para refletir: qualidade da educação nas instituições

Leia a afirmação a seguir: "o avanço da qualidade da educação da instituição passa pela colaboração de todos!". 

Agora, reflita sobre como as duas práticas inspiradoras apresentadas se relacionam com essa afirmação. Você considera a afirmação verdadeira ou não? Qual compreensão de qualidade educacional deve ser considerada aqui? De que maneira a gestão democrática e participativa contribui para a afirmativa tornar-se verdadeira? 

Escreva um ou dois parágrafos argumentativos e registre essa reflexão em seu Memorial. Sua reflexão argumentativa será um elemento motivador para as discussões que serão tecidas no capítulo 2 desta UT, que abordará de maneira mais aprofundada as relações existentes entre avaliação institucional e qualidade social na educação.