Planejamento pedagógico na EaD: design instrucional
Com uma pesquisa rápida na internet, a partir do termo “design instrucional” em um site de busca, você encontrará um expressivo volume de materiais relacionados ao tema, abordando diversos aspectos sob vieses variados: origem , histórico, evolução no contexto do crescimento dos cursos mediados pelas tecnologias digitais, as diversas concepções delineadas desde a sua sistematização, discussões relacionadas à função de designer instrucional e, ainda, uma diversidade de termos relativos ao seu conceito (design, desenho, educacional, pedagógico ou didático etc.).
Vani Kenski (2019a), no primeiro capítulo do livro intitulado Design instrucional para cursos online – organizado pela autora, que reúne textos de estudiosos da área – nos presenteia com uma síntese reflexiva problematizando a questão “por que design instrucional?”. A autora trata, primeiramente, do entendimento do termo design, criticando sua simples tradução do termo em inglês para desenho, chegando à seguinte conclusão:
[...] estamos falando de design como processo de idealização, criação, desenvolvimento, configuração, concepção, elaboração e especificação de algo direcionado para o uso. Essa é uma atividade estratégica, técnica e criativa, normalmente orientada por uma intenção ou um objetivo, ou para a solução de um problema
Na sequência, Kenski (2019a) problematiza o termo instrucional, citando a postura aversiva ao termo por parte de educadores brasileiros e a consequente adequação da expressão para design educacional – inclusive na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), para designar o profissional designer instrucional. A autora critica essa mudança pois entende que o design educacional extrapola o design instrucional.
Nesse sentido, a autora compreende “instrucional” como sinônimo de ensino, em concordância com outros autores referências na área, concluindo que “para nós, o design instrucional é, portanto, o processo de desenvolvimento de um projeto de ensino, e o designer instrucional é o seu responsável e principal executor” (Kenski, 2019a, p. 12).
Nesse sentido, Kenski (2019b, p. 13) esclarece que o designer instrucional atua na “viabilização de situações de ensino-aprendizagem”, em um campo diverso, que varia conforme algumas características: “o tipo de ensino (presencial, semipresencial ou à distância), o propósito do curso (treinamento, formação, atualização etc.), o tempo disponível e o tipo de recursos ou mídias que serão utilizados, entre outras”. Como podemos notar, o design instrucional pode ser aplicado nos tipos de ensino para além da EaD, no entanto, nesta UT, direcionamos o olhar para o ensino a distância.
Kenski (2019b) também nos fornece uma boa síntese acerca da influência das teorias pedagógicas (as quais você já estudou nesta UT) sobre o processo de aprendizagem na evolução histórica do design instrucional:
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Título: Breve linha do tempo do design instrucional
Fonte: Kenski (2019b).
Elaboração: Prosa (2025c).
Kenski (2019a) destaca a figura do DI como o profissional específico que atua no planejamento pedagógico na EaD. Sobre isso, ressaltamos que aqui não estamos em um curso de formação de designer instrucional, mas, sim, em uma formação continuada para docentes, com o propósito de desenvolver noções de design instrucional para a construção de planejamento na EaD para a EPT.
Também nos orientamos pelo entendimento de Filatro (2010) de que o design instrucional pode ser definido como uma
[...] ação intencional e sistemática de ensino que envolve o planejamento, o desenvolvimento e a utilização de métodos, técnicas, atividades, materiais, eventos e produtos educacionais em situações didáticas específicas a fim de facilitar a aprendizagem humana a partir dos princípios de aprendizagem e instrução conhecidos
Acrescentamos, ainda, a perspectiva de Filatro e Cairo (2015, p. 143), que apresentam uma compreensão ainda mais ampliada do design instrucional: “Podemos dizer que toda prática educacional tem um Design Instrucional subjacente, considerando-se que sempre há uma ação intencional de responder, de alguma forma, a uma necessidade de aprendizagem”.
Desse modo, para nos referirmos a situações didáticas em geral, utilizaremos o termo unidade de aprendizagem, em consonância com Filatro (2008, p. 43), que a compreende como uma “[...] unidade atômica ou elementar que contém os elementos necessários ao processo de ensino/aprendizagem”, podendo ser “[...] tão extensa quanto o currículo completo de um curso de graduação com quatro anos de duração ou tão pequena como uma atividade de aprendizagem de 15 minutos”.
Certamente, há diferentes contextos educacionais em que o design instrucional pode ser adotado. Contudo, há um consenso de que existe uma estrutura clássica de organizada em cinco fases comuns: análise, design, desenvolvimento (referentes à concepção), implementação e avaliação (relativos à execução). Esta estrutura se baseia no Modelo ADDIE – acrônimo em inglês, que agrupa seus cinco passos: Analysis (Análise), Design (Desenho), Development (Desenvolvimento), Implementation (Implantação), Evaluation (Avaliação). Trata-se do modelo mais utilizado no campo do design instrucional, por isso vamos estudá-lo com mais profundidade.
Com base em Filatro (2010), vejamos a que corresponde cada uma dessas fases:
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Título: Fases do design instrucional
Fonte: Filatro (2010).
Elaboração: Prosa (2025d).
Sugestão de video: Design instrucional na prática
Título: Exemplo de Design instrucional na prática
Fonte: (SEMEAD 2022 - 18/05) [....] (2022).
- Quais relações podem ser feitas entre o design instrucional para EaD e a sua prática cotidiana? Como essas relações são construídas?
- Explique com suas palavras como é que o modelo ADDIE funciona, e como ele pode contribuir para a sua prática de preparar e estruturar conteúdos para EaD?
Agora que você já tem uma ideia mais nítida do que é o design instrucional e de como ele se configura, podemos voltar nossas atenções para questões abordadas por Filatro e Cairo (2015), determinantes para colocar o DI em prática.
As autoras discorrem sobre o significado do DI a partir de três dimensões: como teoria, produto e processo; e sistematizam as características de três modelos básicos de DI, quais sejam: fixo (ou fechado), aberto (também chamado de design on-the-fly, ou “em pleno voo”) e contextualizado. Veremos isso na próxima seção.