Design instrucional
Vejamos, então, cada uma dessas dimensões do design instrucional separadamente:
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Título: Dimensões do design instrucional
Fonte: Filatro e Cairo (2015).
Elaboração: Prosa (2025e).
Podemos concluir que o DI se apresenta como um campo de estudo teórico-prático, um corpo de conhecimento consistente sobre o planejamento de situações de aprendizagem, notadamente para a EaD. Como constata Ana Estela Haddad, o design instrucional é um
[...] campo de estudos em ascensão para responder a essa necessidade no planejamento educacional na EaD
Até aqui, já sabemos que há diferentes contextos educacionais em que o DI pode ser utilizado, embora haja uma organização clássica de cinco fases (análise, design, desenvolvimento, implementação e avaliação). De acordo com Filatro e Cairo (2015), há modelos distintos de design instrucional, mais estruturados ou mais dinâmicos, tratando dos DI fixo, aberto e contextualizado com a ressalva de que “não existe um modelo melhor que o outro, o melhor modelo é aquele que oferece solução ideal para o problema educacional identificado em determinado contexto" (Filatro e Cairo, 2015, p. 147). Selecionamos algumas características de cada modelo apresentadas pelas autoras.
Modelos de design instrucional
DI Fixo
- Modelo clássico de design instrucional.
- Separado entre as fases de concepção (análise, design e desenvolvimento) e execução (implementação).
- Apresenta linearmente os conteúdos, com atividades objetivas autocorrigidas; permite múltiplas entradas e percursos.
- Planeja e produz cada componente antes da ação de aprendizagem.
- Alinha-se aos modelos industriais de produção, mais voltados à educação em massa.
- Em geral, é produzido por uma equipe multidisciplinar.
- Acesso contínuo.
- Não há atividades que envolvem comunicação entre os participantes.
- Sem necessidade de mediação pedagógica direta.
DI Aberto
- Envolve processos de produção mais artesanais.
- Aproxima-se mais da natureza flexível e dinâmica de aprendizagem.
- Privilegia a interação humana mais que a interação com conteúdos.
- Dispõe de produtos e materiais de terceiros (curadoria) ou do próprio docente.
- Possibilita a interação docente-alunos e alunos-alunos, por meio de fóruns ou momentos síncronos ou assíncronos.
- As decisões tomadas antecipadamente à implementação podem ser revistas ao longo do processo.
- Requer outra dinâmica de implementação, a depender do número de alunos e do período estipulado.
DI Contextualizado
- Combina automação dos processos de planejamento e a personalização e contextualização na situação didática.
- Utiliza ferramentas características da Web 2.0.
- Incorpora mecanismos de contextualização e flexibilização.
- Possibilita o equilíbrio entre a autonomia dos processos de planejamento e a personalização e contextualização na situação didática.
- Interage fortemente com o contexto: além da integração com mídias sociais, os alunos podem compor percursos personalizados a partir de pequenas unidades de estudo.
- A sequência interna predefinida é sugerida e não imposta.
- Os alunos podem escolher se preferem estudar sozinhos ou interagir com outras pessoas.
- Os materiais produzidos seguem padrões de interoperabilidade .
- Permite planejar um conjunto de unidades de estudo em que se pode alternar atividades individuais e coletivas.
- Requer ferramentas tecnológicas de design e execução mais sofisticadas.
Aqui fazemos uma ressalva: Filatro e Cairo (2015) denominam de modelos básicos aquilo que poderíamos considerar como tipos de design instrucional. Logo, os modelos mencionados e exemplificados anteriormente podem ser combinados entre si.
Nesse momento, certamente você está correlacionando esses modelos com termos estudados na UT Fundamentos da Educação a Distância. O DI fixo é comum aos cursos autoinstrucionais, sem tutoria, como os cursos MOOC . Já o DI aberto é mais empregado em cursos on-line de extensão, aperfeiçoamento e pós-graduação, na educação básica e superior. Por sua vez, o DI contextualizado é mais presente em contextos de aprofundamento, como em cursos de pós-graduação, de aperfeiçoamento etc.
A seguir, há um quadro síntese, adaptado de Filatro e Cairo (2015), no qual é possível visualizar aspectos da combinação das fases do processo com cada um dos três modelos/tipos de design instrucional. Reforçamos que o melhor modelo será aquele com o potencial de atender à demanda do curso e alcançar os objetivos propostos, de acordo com o perfil dos estudantes e com as condições e necessidades de cada instituição.
Título: Fases do processo para os diferentes modelos de design instrucional
Fonte: Filatro e Cairo (2015, p. 157).
Elaboração: Prosa (2025f).
Para esclarecimentos, a Técnica mash-up, citada na fase de desenvolvimento do design instrucional aberto, corresponde à prática de levantar bibliografia e referências de apoio para, a partir delas, iniciar e completar a redação do material inédito (Filatro e Cairo, 2015, p. 283).
O papel de apoio, citado na fase de desenvolvimento do design instrucional contextualizado, refere-se ao educador, ao especialista e/ou ao design instrucional que propõe a atividade em que constitui o papel de aprendizagem, relativo ao aluno, ao grupo, à turma ou ao coletivo (Filatro e Cairo, 2015, p. 230).
A geração de pacotes para instanciação, citada na fase de implementação do design instrucional fixo, refere-se ao agrupamento de elementos (conteúdos, recursos, diretrizes e ferramentas) para permitir a adaptação e a implementação contextualizada de um modelo educacional em diferentes cenários. Já a avaliação somativa é, segundo Filatro e Cairo (2015, p. 424), “ realizada ao final de uma unidade de estudo ou um período após sua conclusão”. Por sua vez, a expressão on-the-fly, citada na fase de avaliação do design instrucional aberto significa “em tempo real”, ou seja, durante o processo.
Agora, visualizaremos uma possibilidade de matriz instrucional, que pode ser um ponto de partida para você se aventurar na elaboração de uma unidade de aprendizagem a partir da prática do design instrucional, particularmente nas fases de design/desenvolvimento, tendo em mente sua implementação em um AVA. Não se trata de um padrão, mas de um formato possível para materializar um planejamento na EaD, o qual pode ser complementado a partir de outras referências. Acesse o documento aqui: matriz instrucional.
Título: Design instrucional na produção de recursos educacionais
Fonte: MOOC [...] (2022).
Para refletir: produção de cursos autoinstrucionais
Sobre a produção de cursos autoinstrucionais (ou seja, sem tutoria) de modelo fixo, recomendamos a leitura de uma obra primorosa que consta como referência básica no programa da UT, produzida no âmbito da Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde, na Universidade Federal do Maranhão (UNA-SUS/UFMA), intitulada Planejamento educacional na EaD autoinstrucional: por que, para que e como fazer? e organizada pelas professoras Paola Trindade Garcia, Deysianne Costa Chagas e Ana Emilia Figueiredo de Oliveira.
Destacamos especialmente o capítulo 3, que versa sobre o planejamento didático de cursos autoinstrucionais na EaD. Indicamos, também, uma leitura atenta do tópico 3.2, no qual as autoras detalham as etapas do planejamento didático-pedagógico a partir de uma situação fictícia de planejamento de um curso na área da saúde.
Tente identificar as ações e os desdobramentos de cada etapa do processo que as autoras narram:
3.2.1 Análise contextual;
3.2.2 Definição de objetivos educacionais;
3.2.3 Organização de conteúdos educacionais;
3.2.4 Soluções educacionais;
3.2.5 Avaliação de aprendizagem.
A forma detalhada que elas adotam para narrar a experiência ilustra bem o fazer no design instrucional. Visto isso, convidamos você a assistir uma sequência de vídeos produzidos pelo Laboratório de Aprendizagem e Ensino da FEA/USP, que trata das etapas do Modelo ADDIE, do ponto de vista da atuação do designer instrucional.
Confira o vídeo de cada etapa para ter uma boa ilustração do Modelo ADDIE enquanto possibilidade de prática de design instrucional:
Fonte: Design [...] (2021a, 2021b, 2021c, 2021d, 2021e).
Para acessar outros materiais produzidos pelo LAE/FEA/USP, confira o canal do Laboratório de Aprendizagem e Ensino da FEA USP no YouTube.
Agora que você visualizou o passo a passo do processo de design instrucional de uma situação didática, chegou a hora de colocar a mão na massa e esboçar uma unidade de aprendizagem. Para tanto, você pode tomar como modelo a matriz instrucional vista há pouco, elaborando uma disciplina completa, conforme a sua área de atuação na EPT. Você pode recorrer também ao PPC de um curso em que atua para selecionar um componente curricular com que se identifique mais ou seguir as orientações do professor/tutor da UT.
Lembre-se de registrar seu processos e reflexões no seu Memorial e/ou siga as orientações do seu tutor.





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