Didática da interatividade e da colaboração

Observe a ilustração a seguir, adaptada do texto de Pimentel e Carvalho (2020), que nos leva a refletir sobre as tantas possibilidades entre os recursos disponíveis para promover práticas com ênfase informativa, criativa ou colaborativa.

card do curso

Título: O que devo escolher para compor a aula? – Composições híbridas
Fonte: Pimentel e Carvalho (2020).
Elaboração: Prosa (2025h).

Os autores associam as fontes de informação com as ações de receber, memorizar e assimilar conteúdos e sugerem que arquivos, e-books, vídeos, sites e diversos objetos de aprendizagem disponíveis na internet podem ser selecionados para possibilitar acesso ao conhecimento historicamente produzido e compartilhado. Também é importante haver espaço para a utilização de ferramentas de autoria que proporcionem aos estudantes momentos para criação, como editores de vídeo, de imagem, de som e de texto, apresentações e planilhas compartilhadas. Por sua vez, a promoção da discussão e da troca de ideias pode acontecer por meio de recursos apropriados para essa finalidade e que possibilitam expressar, comentar e debater, como redes sociais e ferramentas de mensagem. 

Os modelos ou tendências pedagógicas frequentemente são nomeados a partir de teorias específicas, como é o caso do comportamentalismo, do construtivismo e do sociointeracionismo, mencionados na ilustração acima. Cada um desses modelos enfatiza diferentes aspectos da aprendizagem: o estímulo que o aluno vai receber, a elaboração que é realizada pelo estudante ou, ainda, a interação e o diálogo. Essas teorias foram desenvolvidas por pesquisadores que ficaram famosos ao longo da história das ideias pedagógicas, tais como Skinner, Piaget e Vigotski.

Cada abordagem teórica evidencia um desses polos, e esta é a razão de aparecerem em colunas na ilustração acima. Isso porque há uma relação entre as escolhas que os docentes fazem para compor as suas aulas e as diferentes teorias psicológicas sobre como as pessoas aprendem. 

Ao associar cada tipo de recurso tecnológico digital a paradigmas e teorias pedagógicas, Pimentel e Carvalho (2020) sugerem ir além desses modelos e buscar o melhor que cada recurso pode oferecer. A proposta didática é a realização de composições híbridas para atender a diferentes objetivos de aprendizagem. 

A partir dessa abordagem em torno de diferentes modelos, torna-se pertinente refletir sobre a didática na educação a distância. Numa revisão de literatura, Morgado (2001) apresentou diferentes formas de organização do ensino on-line, que apresentamos a seguir.

Há um primeiro modelo centrado no professor, em que o foco está na exposição de conteúdo. Nessa lógica, a ênfase recai mais no ensino e na transmissão de informação, e menos na aprendizagem. Um segundo modelo enfatiza a tecnologia, atribuindo um papel secundário tanto ao professor quanto ao estudante, pois o docente converte-se em um fornecedor de conteúdos e o aluno, em utilizador desses conhecimentos. Nesse modelo, a tecnologia é o meio pelo qual acontece a transmissão do conhecimento. E, de outro lado, há um modelo mais centrado no estudante, que se baseia, sobretudo, na atividade de autoformação e de autoaprendizagem.  

A ideia de uma didática baseada na educação híbrida está cada vez mais presente, tanto no âmbito da educação presencial quanto no âmbito da educação a distância. Por ser um conceito em desenvolvimento, esse tipo de educação aparece com diferentes nomenclaturas nas produções científicas e acadêmicas (Lima, 2024). O crucial é que se parta da reflexão pedagógica para recorrer às possibilidades didático-metodológicas e avaliativas das tecnologias digitais, com o objetivo de expandir espaços e tempos educativos por meio do uso pedagógico de recursos digitais. 

A educação híbrida enfatiza a metodologia participativa, que possui quatro fundamentos: participação, compartilhamento, colaboração e cooperação. A metodologia participativa tem início e desfecho na prática social e sua orientação política se sustenta por conteúdos cognitivos, atribuindo aos professores um lugar significativo de organizadores e mediadores do processo educativo. Nessa lógica, docentes e discentes compartilham a mesma prática social e são considerados ambos como polos importantes do processo de ensino-aprendizagem (Araújo, 2017).

card do curso

Título: Ciclo da prática social - participação, colaboração e construção coletiva
Elaboração: Prosa (2025l).

José Araújo (2017) esclarece que, no Brasil, as matrizes pedagógico-metodológicas relativas ao ensino seguem algumas tendências, que estão aqui dispostas em ordem cronológica: tradicional, ativa (escolanovista), tecnicista, libertadora e histórico-crítica. A crítica às três primeiras tendências se deve às suas fundamentações, que não apresentam alicerces adequados à realidade, visto que estão centradas em apenas um dos polos que envolvem o processo de ensino-aprendizagem, a saber, a hegemonia do professor (tradicional), do aluno (ativa) e da técnica (tecnicista). Em contrapartida, as pedagogias libertadora e histórico-crítica são alicerces da proposta defendida por Lima (2024), com conceitos e orientações pedagógicas de educação híbrida.