Princípios de interatividade e aprendizagem colaborativa

A comunicação na cibercultura se caracteriza por autoria, conectividade, cocriação, aprendizagem colaborativa e compartilhamento. O professor assume o papel de um coordenador-mediador da turma, responsável por arquitetar situações de aprendizagem que visam promover a interatividade entre todos (comunicação) e a coautoria e cocriação de conhecimentos (cooperação). Isto é, a colaboração se dá na medida em que o grupo almeja alcançar um objetivo comum. Na aprendizagem colaborativa, as pessoas aprendem tecendo saberes em conjunto e trocando entre os pares no estudo em grupo (Pimentel e Carvalho, 2020).

card do curso

Título: A comunicação na cibercultura e o papel do professor
Elaboração: Prosa (2025d).

 

Mariano Pimentel e Felipe da Silva Ponte de Carvalho (2020) indicam alguns princípios que correspondem à interatividade e à aprendizagem colaborativa na educação on-line. São eles: 

  1. Conhecimento como obra aberta; 
  2. Curadoria de conteúdos on-line; 
  3. Ambiências computacionais diversas; 
  4. Aprendizagem colaborativa; 
  5. Conversação e interatividade; 
  6. Atividades autorais; 
  7. Mediação docente ativa; 
  8. Avaliação formativa e colaborativa.

Esses princípios foram pensados para apoiar uma abordagem mais criativa, participativa e colaborativa do processo de ensino e aprendizagem, valorizando a autoria, a mediação ativa e o uso inteligente das tecnologias. Vamos explorá-los:

Princípio 1 - Conhecimento como obra aberta

Complementar e ressignificar sempre, compreendendo o conhecimento científico como uma construção social que não está pronta e acabada. Na elaboração do conhecimento, professor e estudante estão envolvidos em atividades de estudo e pesquisa, criação e colaboração, desenhando e redesenhando saberes num processo em que o discente também é compreendido como produtor de conhecimento. Esse princípio implica a utilização de metodologias participativas.

Princípio 2 - Curadoria de conteúdos on-line

Seleção de materiais disponíveis em bases digitais diversas e a produzirem sínteses e roteiros de estudo. Este movimento é interessante porque possibilita diferentes caminhos de aprendizagem, deixando de lado a condução por um único percurso, comum nas apostilas e livros didáticos utilizados na EaD.

Princípio 3 - Ambientes computacionais diversos 

Extrapolar os recursos disponíveis no AVA, proporcionando aos discentes vivências diversas a partir da mediação de tecnologias. É importante que se escolha cuidadosamente essas ambiências, considerando recursos que contribuam como fontes de informação, sistemas de autoria e mídias sociais.

Princípio 4 - Aprendizagem em rede e colaborativa 

Buscar a conexão entre as pessoas, em lugar de manter somente o estudo individualizado na educação a distância.

Princípio 5 - Conversação entre todos

Criar grupos para conversação informal e a levantar diferentes pontos de vista sobre um assunto, entre outras possibilidades, para promover conversação na turma. Um recurso interessante para a promoção de conversa é o Kialo, ferramenta on-line gratuita. A proposta desse site é facilitar a criação e a realização de atividades envolvendo debates com redação argumentativa. A ferramenta oferece modelos visuais e prompts que organizam a discussão, por exemplo, em prós e contras, ao mesmo tempo em que cria estatísticas de argumentos e de contribuições e permite comentar e discutir as interações dos colegas sobre os temas propostos.

Princípio 6 - Atividades autorais 

É preferível atividades práticas e autorais em lugar de estudo dirigido, lista de exercícios ou questionário. Ressalta-se a importância de atividades criativas para a elaboração do conhecimento, mais do que atividades de repetição, cópia ou reforço. Uma ferramenta interessante para promover a apresentação de atividades autorais é o Padlet, ferramenta on-line gratuita. Esse recurso possibilita expor ideias a partir de diferentes modelos organizadores visualmente interessantes e motivadores, de acordo com a intencionalidade do autor. É possível utilizar o formato de blog, kanban, mapa, portfólio, linha do tempo, quadro de brainstorming, entre outros, que contribuem para inovar a aplicação de atividades que, nos contextos presenciais analógicos, costumam ser feitas por meio de cartazes e exposições com cartolina ou papel kraft. Com o Padlet, é possível ir além na criação, na autoria e no compartilhamentos de ideias. 

Princípio 7 - Mediação docente on-line

Mediação ativa em lugar de esperar que o estudante somente procure o professor para respostas em caso de dúvidas, evitando a “tutoria reativa”. O professor-mediador é aquele que está pronto para propor novas discussões e ampliar o diálogo, a partir do material didático ou das interações dos estudantes. Utilizando ferramentas internas ou externas do sistema, o objetivo é promover a discussão e a participação no AVA.

Princípio 8 - Avaliação formativa e colaborativa

Avaliação a ser realizada não apenas pelo professor (heteroavaliação), mas também pelo próprio aprendente (autoavaliação) e pelos pares (avaliação colaborativa). A ideia é que a avaliação seja feita de forma contínua e formativa, não apenas para aprovar ou reprovar, mas principalmente para apoiar a tomada de consciência dos estudantes sobre o que já aprenderam bem, o que precisam aprofundar e quais ações formativas devem realizar. Possibilitar o compartilhamento do conhecimento utilizando recursos interativos nas atividades de aprendizagem contribui para a regulação da produção coletiva pelo grupo e facilita a revisão contínua de conceitos, além de promover o desenvolvimento por meio da incorporação seletiva de um sistema de devolutivas e dos diferentes modos de fazer dos colegas.

card do curso

Título: Princípios da interatividade e aprendizagem colaborativa na educação on-line
Fonte: Pimentel e Carvalho (2020).
Elaboração: Prosa (2025e).