A formação para a docência na EaD

Título: Caminhos da formação docente
Elaboração: Prosa (2025n).
O processo de formação e construção dos saberes para a docência na EaD não é tão diferente do processo de formação do professor para a docência presencial. Em ambos os contextos, a trajetória formativa provoca transformações na concepção de docência e na prática pedagógica. Após a experiência da docência na educação a distância, é comum que os professores identifiquem reflexos da sua prática em EaD nas suas atuações na educação presencial, tais como um maior uso de recursos tecnológicos digitais em sala de aula e uma maior facilidade na organização docente para o planejamento das disciplinas presenciais.
Em geral, os professores elaboram planos de aula com mais facilidade após passarem por experiências de docência na EaD. Isso mostra que, uma vez ampliada a base de conhecimento docente, esta poderá ser acionada em qualquer situação de ensino, seja à distância ou presencialmente.
Os saberes experienciais advindos da modalidade presencial, somados aos saberes advindos da formação inicial, compõem uma parcela significativa da base de conhecimento da docência na EaD, mas a prática pedagógica na educação a distância pode contribuir para a formação de novos saberes, ampliando a base de conhecimento necessária para esse contexto. De qualquer modo, a regência diária em sala de aula é o elemento que impulsiona o professor a desenvolver alternativas didáticas que facilitam o aprendizado do aluno, seja no espaço presencial ou a distância.
A falta de conhecimento tecnológico e a falta de conhecimento do uso pedagógico das novas tecnologias pode dificultar bastante a atuação dos docentes no ambiente virtual de aprendizagem. Isso porque o conhecimento das tecnologias digitais, da linguagem e da comunicação escrita adequadas ao AVA se sobressaem como significativos para a docência no contexto da EaD, quando comparados com a docência presencial.
A experiência como docente em ambientes virtuais provoca os professores para a elaboração de conhecimentos pedagógicos tecnológicos que facilitarão o ensino dos conteúdos. Por isso, os pesquisadores afirmam que os saberes do docente na EaD são elaborados principalmente na vivência experiencial. A vivência nos espaços virtuais é uma fonte importante de construção dos conhecimentos para a docência on-line (Corrêa e Mill, 2012; Chaquime e Mill, 2024).

Título: Docência em ambientes virtuais de aprendizagem
Fonte: Gaia Schüler (2023c; 2023e).
Elaboração: Prosa (2025o).
Apropriar-se dos recursos tecnológicos digitais e das suas possibilidades pedagógicas é parte dos saberes do docente na EaD. Cada vez mais, professores têm procurado superar essas limitações por meio da formação continuada e do compartilhamento de experiências entre seus pares (Rossit e Oliveira, 2014). Para isso, torna-se fundamental a aprendizagem constante e a prática reflexiva ao longo de suas vidas.
Reflexões sobre a prática de formação continuada do docente na EaD
Este capítulo aproxima-se do fim, mas a discussão sobre saberes docentes e formação dos professores para a educação a distância continua essencial para o aprimoramento dos processos pedagógicos e de gestão, sempre com o objetivo de promover uma formação humana e integral dos sujeitos por meio de uma educação socialmente referenciada.
A formação continuada dos professores para a docência na EaD deve ser compreendida como um movimento institucional e coletivo indispensável para qualificar as práticas educacionais. Por isso, enfatizamos no capítulo os conhecimentos que caracterizam a docência, buscando transcender essas ideias e alcançar um modelo que possa contribuir para compreender o processo formativo e o desenvolvimento dos saberes da docência nesse contexto, destacando a formação inicial, a formação continuada, os saberes da prática na educação presencial, a vivência experiencial da docência em ambientes virtuais e o compartilhamento de experiências entre os participantes da polidocência e da equipe multidisciplinar dos cursos EaD. Todos estes elementos são constituintes da formação para a docência a distância.
Diante de tudo o que vimos, cabe refletirmos: como tornar o processo de formação continuada para a docência na EaD mais significativo? Que experiências institucionais podem servir de inspiração? Veja, a seguir, duas práticas inspiradoras que podem contribuir para essa discussão.
A primeira prática inspiradora é a formação continuada realizada na Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI, no projeto de extensão universitária “Tecnologias Emergentes a Serviço da Aprendizagem”. Este projeto vem sendo realizado para desenvolver conhecimento pedagógico tecnológico e de competências digitais, além de preparar alunos bolsistas dos cursos de licenciatura para atuarem como futuros docentes virtuais. Como pode ser conferido no trabalho de Cláudia Eliane da Matta e Juliana Maria Sampaio Furlani (2020) intitulado Ações de extensão para formação de professores da educação básica no uso das TDIC. Até 2020, o projeto já havia formado 400 professores e professoras, buscando superar a racionalidade técnica e desenvolver a autonomia e a cooperação.
Quanto ao conteúdo abordado, o curso procura discutir a sociedade da informação: planejamento e uso das novas tecnologias digitais de informação e comunicação na sala de aula, com conceitos como nativos e imigrantes digitais, estratégias para utilização de recursos educacionais abertos e aplicativos de forma colaborativa, elaboração de sequências didáticas, entre outros conhecimentos necessários para a docência na EaD (Matta e Furlani, 2020).
A segunda prática inspiradora está materializada no artigo Dimensões da Mediação Pedagógica em Educação a Distância: revisão teórica e aspectos práticos, que traz a experiência do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Espírito Santo no momento da elaboração do Curso de Formação de Mediadores Pedagógicos em EaD do Centro de Referência em Formação e em Educação a Distância - Cefor/IFES.
As autoras Aline Pinto Amorim, Larissy Alves Cotonhoto, Mariella Berger Andrade e Vanessa Battestin procuraram propor um itinerário formativo que atenda a questões como: “quem é o mediador em EaD?” e “quais são as competências necessárias para o mediador na EaD?”. A partir dessas perguntas, as autoras desenvolveram dimensões essenciais a serem contempladas em cursos de formação, a saber, a capacidade de articulação com a equipe do curso em que o professor irá atuar; a afetividade e a empatia; a abordagem inclusiva; a comunicação mediada pela tecnologia digital; o diálogo, a interação e a interatividade; a abordagem de situações desafiadoras; a superação da distância transacional; e o acompanhamento, a avaliação e as devolutivas (Amorim et al., 2022).
Considerando todo o percurso neste capítulo, convidamos você a refletir sobre essas questões relacionadas aos saberes e às práticas formativas do docente na educação a distância e a escrever um pequeno texto sintetizando essa discussão em seu Memorial. Esses conhecimentos serão relevantes no percurso de constituição de sua identidade profissional na EaD.