Breve histórico da produção de material didático para a EaD
De acordo com Alves (2009), a história da produção de materiais para a EaD no Brasil está diretamente relacionada ao aprendizado por correspondência, rádio, computador e outras mídias, assim como ao ensino on-line.
Até a década de 1970, o Brasil era considerado um dos principais países do mundo no desenvolvimento da EaD. Mesmo antes de 1900 já existiam cursos profissionalizantes por correspondência no Rio de Janeiro, que funcionavam por meio do envio de materiais didáticos pelos correios, prática que se estendeu até o início dos anos 1920.

Título: Estudo por correspondência no Instituto Universal Brasileiro
Fonte: Evolução [...] (2018).
Em 1923, foi fundada a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, uma iniciativa privada que aproveitou a possibilidade de transmissão de programas para desempenhar a função de promover conteúdos educativos através da educação popular. Em 1936, a emissora foi doada ao Ministério da Educação e Saúde – isso porque até 1930 não havia um ministério específico para a área da educação. Nesse período, o rádio consolidou-se como um dos principais meios de educação a distância. A partir de 1937, diversos programas educativos passaram a ser implementados pelo Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação.
No início da década de 1940, surgiram diversas iniciativas, entre as quais se destacam a criação do SENAC, em 1946, e, posteriormente em 1950, no Rio de Janeiro e em São Paulo, da Universidade do Ar. Durante a década de 1950, as escolas radiofônicas se disseminaram, especialmente por meio da Igreja Católica, dando origem, por exemplo, ao Movimento de Educação de Base em 1961. Também se destacaram experiências no sul do país, como a Fundação Padre Landell de Moura.
Entretanto, a partir da década de 1960, a radiodifusão educativa brasileira perdeu força, e a EaD via rádio entrou em declínio, cedendo espaço à televisão educativa. Entre as décadas de 1960 e 1970, observa-se a fase inicial do uso da TV com fins educacionais no Brasil. Em 1969, foi criado o Sistema Avançado de Tecnologias Educacionais, acompanhado de uma portaria do Ministério das Comunicações que estabelecia tempo específico para a transmissão de programas educativos em emissoras comerciais. Em 1972, foi criado o Programa Nacional de Teleducação (Prontel) e, em seguida, o Centro Brasileiro de TV Educativa (Funtevê), órgão vinculado ao então Ministério da Educação e Cultura. Na década de 1990, as emissoras deixaram de ser obrigadas a transmitir programas educativos. Em 1994, o Sistema Nacional de Radiodifusão Educativa foi reformulado, e a coordenação de suas ações passou a ser responsabilidade da Fundação Roquette Pinto.
Como afirma Belloni (2000), a partir dos anos 2000, a TV educativa se expandiu por meio de programas em TVs universitárias, Canal Futura, TV Escola, entre outros, com foco em conteúdos educativos. Nesse período, com a chamada "virada digital", impulsionada pela popularização da internet, a produção de materiais para a EaD passou por uma transformação radical. A educação a distância começou a se difundir amplamente, integrando-se a plataformas virtuais, e a produção de materiais passou a abranger tanto mídias físicas quanto digitais (textos, imagens, sons e dispositivos). A produção deixou de ser apenas textual e passou a exigir competências comunicacionais, visuais e tecnológicas, desafios enfrentados até os dias de hoje.
Sugestões de leitura e video:
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ALVES, João Roberto Moreira. A história da EaD no Brasil. In: Litto, Frederic M.; FORMIGA, Marcos (org.). Educação a distância: o estado da arte. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.
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BELLONI, Maria Luiza. Educação a distância. Campinas, SP: Autores Associados, 2009.
- Video História da EaD ({Unidade 1 Aula 1} [...], 2015).