Uma das perspectivas mais conhecidas do planejamento estratégico é a do Planejamento Estratégico Situacional (PES). Ela foi elaborada por Carlos Matus no seio de uma revolução que buscou superar o capitalismo, a Revolução Chilena (1970-1973), sob o governo de Salvador Allende. Este processo nos serve de referência, porque é uma das grandes experiências de transição histórica vivida pela humanidade. Nela, a política educacional retomou o legado de Paulo Freire, que esteve no Chile de 1964 a 1970, e organizou a Escola Nacional Unificada (ENU), uma proposta de sistema centrado no trabalho e na ampliação do direito à escolarização básica a partir da ideia de unificação.

Título: Planejamento Estratégico Situacional
Fonte: Wallace (1964).
Elaboração: Prosa (2025k).
A dissertação de mestrado de Vinicius da Silva Argenti (2024), intitulada Um estudo do Planejamento Estratégico Situacional em uma instituição de ensino: limites e possibilidades, teve como objetivo geral “analisar os limites e possibilidades na construção do PES nas escolas técnicas do Estado de São Paulo no âmbito do CEETEPS” (Argenti, 2024, p. 21). O autor examinou experiências de gestão da EPT sob o prisma do PES e o exercício proposto nesta etapa de nosso trabalho tentará analisar o planejamento estratégico a partir dessa realidade.
Exercício: planejamento estratégico situacional
A principal conclusão da pesquisa de Argenti (2024, p. 88) é a seguinte:
O estudo buscou compreender o grau de autonomia da escola ao realizar o planejamento, porém o atual modelo de Estado, de natureza gerencialista, não contribui nesta autonomia, seja em função do seu modelo de financiamento dos investimentos e despesas da escola, seja nas práticas pedagógicas hoje obrigatoriamente conectadas a uma base nacional comum que muitas vezes desestimula o espírito de inovação e mudança por parte dos professores e gestores escolares. Torna-se então claro que o modelo político da escola se estrutura em maior responsabilização da escola e menor do Estado, porém os aspectos que mais se referenciam ao ‘jogo político’ ainda é centralizado no Estado e no Centro Paula Souza. Estes aspectos muitas vezes resultam em contradições em que é possível se observar um potencial possibilitador do PES encontrar um entrave limitador.
a) Após a leitura do capítulo 1 do texto de Argenti (2024), identifique quais são as especificidades do PES e de que forma elas poderiam contribuir para a autonomia da instituição escolar na definição dos seus objetivos.
b) Após a leitura das seções "Indissociabilidade entre ensino", "pesquisa e extensão" e "A gestão da EPT integral e integrada em algumas experiências concretas" do capítulo 3 (caso da Escola Técnica Estadual Dr. Júlio Cardoso), discuta em que medida o modelo de planejamento estratégico apresentado por nós é suficiente para os desafios administrativos das duas escolas de EPT analisadas. Os quatro níveis que apresentamos estão presentes nessas experiências?
Neste capítulo, discutimos o conceito de planejamento estratégico, localizando-o no contexto da gestão integral. Para isso, revisitamos algumas análises sobre o trabalho capitalista, a organização do trabalho pedagógico e o projeto de profissionalização dos estudantes da EPT. O pano de fundo do capítulo foi a ideia de planificação, tal como pensada no processo de transição social e traduzida para o contexto escolar.
A seguir, veremos outras peculiaridades que envolvem o processo de gestão da EPT integral e integrada. Em particular, trabalharemos os três conhecimentos base das funções desempenhadas por gestores da EPT integral.