As etapas de desenvolvimento da autoavaliação institucional

As etapas da autoavaliação institucional apresentadas a seguir foram fundamentadas em dois trabalhos: no Produto Educacional “Guia de autoavaliação institucional para Educação Profissional e Tecnológica: contribuições para um percurso democrático, participativo e educacional” (2020), de Fabiana Centeno Fagundes, e no estudo “A educação a distância na autoavaliação da Universidade Federal de Goiás – um estudo bibliográfico e documental” (2021), de Freire, Souza e Lima (2021).

Etapa 1 – Planejamento
A primeira etapa do processo de autoavaliação é o planejamento, cujo objetivo é definir as metas da autoavaliação e mobilizar a comunidade escolar e acadêmica a participar efetivamente desse processo. Isso possibilita a realização de um diagnóstico, ou seja, um autorretrato da instituição. Para alcançar esses objetivos, é necessário constituir a CPA, elaborar e/ou revisar o Projeto de Autoavaliação da Instituição e desenvolver os instrumentos de avaliação adequados aos objetivos estabelecidos no projeto, como questionários, entrevistas individuais, grupos focais, análise documental e observação participante. A diversificação desses instrumentos permite a coleta de informações mais completas e aprofundadas.

Etapa de Planejamento

Título: Etapa de Planejamento
Fonte: Prosa (2025c).

Etapa 2 – Desenvolvimento

A etapa de desenvolvimento é a fase de efetivação da autoavaliação. É o momento de colocar o planejamento em ação, com a aplicação dos instrumentos avaliativos.

A sensibilização da comunidade escolar/acadêmica faz parte da etapa de desenvolvimento, sendo fundamental para o êxito da autoavaliação, pois aqui é realizado o “chamamento” da comunidade para participar de forma efetiva no processo de autoconhecimento institucional. A sensibilização pode ser realizada por meio de encontros sistemáticos, de assembleias gerais, de palestras por segmento, de encontros com especialistas ou, ainda, por meio das redes sociais. A participação dos sujeitos institucionais deve fazer parte da cultura organizacional e não acontecer apenas em momentos pontuais.

Após a sensibilização, é realizada a aplicação dos instrumentos avaliativos. Geralmente, para isso, são utilizados questionários on-line, mas, na etapa de planejamento, elencam-se diferentes instrumentos que podem diversificar o tipo de dado a ser produzido com a autoavaliação. A diversificação dos instrumentos possibilita a produção de informações mais completas e aprofundadas.

Além da diversidade dos instrumentos de coleta de dados, deve-se considerar a questão: quais questionamentos esses instrumentos devem abarcar em relação à EaD, levando em conta as especificidades deste contexto?

A CPA é responsável por definir os temas e as questões a serem abordados nos instrumentos de autoavaliação, alinhados aos eixos dispostos pelo SINAES e também em consonância com o PPPI e com o PDI.

Etapa de Desenvolvimento

Título: Etapa de Desenvolvimento
Fonte: Prosa (2025d).

Freire, Souza e Lima (2021) defendem que, devido às especificidades da EaD, ela deve ter seu processo de autoavaliação realizado de forma distinta e separada do ensino presencial. Os autores propõem que se adote, inclusive, a designação específica de "autoavaliação institucional da EaD", ressaltando a importância de contemplar, nesse processo, aspectos como “participação, estrutura física, diferenciação entre modalidades presencial e a distância, representação, entre outros, em um constante processo de autoconhecimento da instituição” (Freire; Souza; Lima, 2021, p. 8). 

Assim, é necessário pensar indicadores que realmente subsidiem a autoavaliação da oferta institucional de EaD. Contudo, além dos referenciais oficiais ou construídos por outras instituições e grupos de pesquisa, é fundamental que cada instituição crie seus indicadores, tendo por base os documentos aqui mencionados, mas evitando que sejam engessados. Afinal, embora existam aspectos comuns entre as IES, cada instituição apresenta características que a diferencia das demais. Desse modo, a autoavaliação institucional não pode ser igual para todas as instituições.

Outra atividade que faz parte da etapa de desenvolvimento é a análise dos dados obtidos por meio dos instrumentos aplicados. É necessário que essa análise seja feita a partir de categorias e de critérios claros e definidos, com vistas a construir um autorretrato mais próximo possível da realidade institucional. 

Todas essas etapas do desenvolvimento devem ser conduzidas pela CPA com responsabilidade e compromisso, de modo que as informações produzidas possam, de fato, subsidiar a gestão institucional na elaboração de estratégias de melhoria para os aspectos apontados pelos participantes da autoavaliação.

Etapa 3 – Relatório, Divulgação dos Resultados e Plano de Melhorias 

Considerada por alguns autores como “consolidação”, a etapa de relatório, divulgação dos resultados e plano de melhorias tem como característica a produção dos relatórios sobre a autoavaliação e a divulgação dos resultados para toda a comunidade.

 Geralmente, essa divulgação ocorre por meio de relatórios que ficam, algumas vezes, esquecidos nas páginas da CPA dos sites institucionais. Por isso, é necessário que os resultados sejam apresentados à gestão institucional e à comunidade escolar e acadêmica para serem discutidos.

Etapa de Relatório, Divulgação dos Resultados e Plano de Melhorias

Título: Etapa de Relatório, Divulgação dos Resultados e Plano de Melhorias
Fonte: Prosa (2025e).

Algumas instituições adotam formas de divulgação dos resultados que vão além da simples publicação de relatórios. Apresentamos abaixo duas experiências que exemplificam esse modo diferenciado de compartilhar os dados da autoavaliação e que acreditamos possuir um alcance mais amplo e efetivo:

  • A primeira experiência que trouxemos é de uma instituição de EPT, o Instituto Federal Farroupilha (IFFar), localizada no Rio Grande do Sul. Em 2024, o IFFar realizou um Seminário de Avaliação Institucional (que pode ser acessado neste link), com foco na troca e no compartilhamento de experiências da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) na implementação da avaliação institucional e do planejamento estratégico. A UFSM contribuiu com sua expertise para subsidiar a autoavaliação a ser realizada no IFFar. A programação incluiu debates, reuniões setoriais e definição do cronograma da autoavaliação institucional do IFFar. Confira a matéria completa e veja como essa experiência pode contribuir com sua instituição.
  • Outra experiência é da Universidade Univille, que pode ser conhecida por meio deste link. Apesar de ser uma instituição da rede privada, é significativo apresentar o Seminário de Divulgação dos Resultados da CPA porque ele apresenta sugestões de melhorias institucionais pensadas pela CPA pós-autoavaliação. A realidade, mesmo sendo diferente das instituições de EPT, pode ser adaptada e ter suas releituras realizadas a fim de atender aos contextos específicos das instituições de EPT.

Para refletir: (re)conhecendo os resultados da CPA

Como você toma conhecimento dos resultados da CPA de sua instituição? A maneira como eles são divulgados se mostra efetiva? Por quê?

Registre sua reflexão em seu Memorial, considerando alguns pontos: você sente que sua voz é realmente ouvida e levada em conta? Há transparência no compartilhamento dos resultados e nas medidas adotadas a partir deles? Os instrumentos de avaliação utilizados permitem uma participação ativa da comunidade escolar e acadêmica ou parecem apenas um protocolo burocrático?

Pensar sobre essas questões pode ajudá-lo a compreender melhor seu papel dentro do processo de autoavaliação institucional.

Etapa 4 - Meta-avaliação

Etapa de Meta-Avaliação

Título: Etapa de Meta-Avaliação
Fonte: Prosa (2025f).

A meta-avaliação é a avaliação da avaliação, em que se deve retomar os objetivos propostos no Projeto de Autoavaliação e verificar qual foi o seu alcance, o percentual de participação dos sujeitos da comunidade escolar e acadêmica inicialmente estimado e o efetivado e quais aspectos precisam ser mudados no próximo processo autoavaliativo. Essa etapa também deve ser um processo formativo à medida em que se aprende com ele a fim de melhorar a qualidade da própria autoavaliação

O documento Referenciais de Qualidade de Cursos de Graduação com Oferta a Distância, lançado juntamente à Nova Política de EaD na Educação Superior em 2025, recomenda práticas que envolvem o processo de avaliação e melhoria contínua. Apesar de ser um documento direcionado para a Educação Superior, destacamos algumas destas práticas que podem ser implementadas nas instituições de EPT:

  • Acompanhamento da participação de estudantes nas atividades presenciais, síncronas e assíncronas das disciplinas, bem como nos estágios e nos projetos de extensão;
  • Acompanhamento das taxas de evasão e de conclusão de cursos, bem como de indicadores de empregabilidade e de satisfação de estudantes egressos;
  • Criação de canais de comunicação com a comunidade externa, de forma a considerar a importância da troca de experiências entre as instituições de EPT, os setores privados e a sociedade civil;
  • Averiguação acerca da institucionalização dos processos da EaD, de modo que as rotinas de autoavaliação estejam concretizadas e considerem a EaD em suas elaborações;
  • Efetivação de um processo de autoavaliação com transparência, de modo que as comunidades interna e externa possam ter uma visão acerca do processo de autoavaliação da instituição.