A autoavaliação como instrumento para EaD de qualidade e socialmente referenciada

A autoavaliação institucional como parte do processo de gestão democrática e participativa da instituição constitui um olhar para dentro de si por meio de uma reflexão coletiva, sendo

um instrumento poderosíssimo [...] para reconstruir a instituição como um espaço público do debate, para construir campos sociais de discussão, de reflexão coletiva

(Dias Sobrinho, 2009, p. 140).

A partir do pensamento de Dias Sobrinho (2009), consideramos a avaliação como produtora de sentidos, de significados aos quais se chegam por meio do questionamento profundo, radical e exaustivo no levantamento de problemas em busca de suas respostas. E, dessa maneira, é importante que a autoavaliação seja realizada como um processo de questionamento coletivo constante sobre a realidade institucional, na procura por identificar os problemas e suas resoluções, tendo como horizonte a formação humana integral de sujeitos para a cidadania.

Mas como avaliar essa oferta de EaD? De onde partir? 

Entendemos que o ponto de partida deve ser o conhecimento sobre a intencionalidade da EaD que se deseja ofertar neste caso, uma EaD que vá na contramão de uma formação puramente técnica e tenha como horizonte uma qualidade socialmente referenciada, com um viés emancipatório e voltado para a formação crítica e cidadã de seus sujeitos, materializada em práticas pedagógicas significativas, colaborativas e interativas.

O eixo que estrutura a responsabilidade e os compromissos sociais da educação é a formação de sujeitos com autonomia epistêmica, moral, intelectual, social e econômica, e isso requer elevada qualidade, tanto do ponto de vista científico e técnico quanto da relevância, do valor e do significado público do trabalho, das ações e das atividades do conjunto institucional (Dias Sobrinho, 2009).

Tendo definido a EaD a ser ofertada, é necessário o acompanhamento e a avaliação dessa oferta para verificar se os objetivos propostos estão sendo alcançados com a qualidade desejada. Como afirma Dias Sobrinho (2009, p. 136): “a avaliação da educação é um questionamento sobre o cumprimento das finalidades nem tanto dos meios, e sim dos fins” .

Para realizar a avaliação da qualidade dos processos educacionais, especificamente na EaD, devemos analisar três níveis: macro, meso e micro (Lima e Alonso, 2019).

Níveis de Análise da Qualidade Social na EaD

Título: Níveis de análise da qualidade social na EaD
Fonte: Lima e Alonso (2019).
Elaboração: Prosa (2025d).

Como estamos tratando do processo de autoavaliação, enfatizaremos os níveis meso e micro, apresentando dimensões e indicadores que, de acordo com Lima e Alonso (2019, p. 15), são “elementos que geram informações do estado real do objeto [...]. Mais especificamente, [...] são os elementos necessários para avaliar se os objetivos educacionais da formação a distância estão sendo desenvolvidos”.

Na ausência de um referencial de qualidade específico para oferta de EaD em cursos técnicos de nível médio, além dos Referenciais Nacionais de Qualidade em EaD em vigor, utilizaremos aqui o Referencial de Qualidade Socialmente Referenciada para Cursos Superiores a Distância (Lima, 2025), elaborado pela Rede de Pesquisa em EaD Brasil/Internacional, que abrange pesquisadores das cinco macrorregiões do Brasil e pesquisadores de países como Moçambique, México, Argentina, Honduras e Portugal. Com isso, queremos apresentar indicadores qualitativos em níveis meso e micro a docentes, gestores e técnicos-administrativos que atuam ou pretendem atuar na EaD de suas instituições para orientar a compreensão de elementos considerados necessários à oferta de EaD de qualidade socialmente referenciada.