A p
roblematização (2) possibilita detectar questões que precisam ser resolvidas na prática social, para que se identifique qual conhecimento é preciso dominar para agir com autonomia (Saviani, 2021). Para isso, seguindo nosso exemplo, partimos de perguntas que levam os estudantes a questionarem como ocorre a soldagem no mundo do trabalho, estimulando-os a perceberem limites e contradições dos seus conhecimentos. Ao identificar esses limites, surge a reflexão crítica e, por sua vez, a necessidade de aprendizagem de novos conhecimentos.

Analisando a prática social da soldagem no mundo do trabalho, é possível identificar a importância de conteúdos relacionados a essa atividade, tais como as vantagens do uso da soldagem no que se refere à integridade e eficiência das juntas, mas também suas desvantagens, considerando que a estrutura resultante não pode ser desmontada. Torna-se relevante também, a partir do diálogo e da problematização em torno da atividade de soldagem, refletir sobre o uso adequado de equipamentos de segurança e sobre uma série de fenômenos metalúrgicos que vão definir a qualidade da solda realizada.  

A instrumentalização (3), por sua vez, é justamente a seleção, a sistematização e a disponibilização dos conteúdos científicos que irão contribuir para a aprendizagem do conhecimento historicamente acumulado sobre essa prática, não apenas com a finalidade de imitação ou reprodução, mas, indo além, a fim de promover autonomia do estudante na criação de sua própria prática. Essa etapa se baseia num planejamento prévio, com seleção de vídeos adequados, documentos, guias e outros suportes de conteúdo que trazem os conceitos necessários à reflexão sobre a prática profissional. 

Na EaD, pode ser necessário encontrar alternativas para demonstrar a aplicação correta de técnicas. No laboratório do polo de apoio presencial ou em ambientes profissionais, o estudante pode gravar a si mesmo, com a mediação de professores tutores, realizando a técnica demonstrada e orientada e usando ferramentas como celular ou notebook. Essa prática facilita a interação tutor-aluno de forma síncrona ou assíncrona. 

A soldagem, por exemplo, possui terminologias e simbologias próprias que são fundamentadas em normas internacionais e nacionais. Entretanto, muitas empresas possuem normas ou terminologias próprias, fazendo com que os fornecedores dessas empresas adaptem seus procedimentos de soldagem a indicadores de qualidade. A experiência prática é essencial para ser soldador, mas o conhecimento da prática inicial pode não ser suficiente para, por exemplo, priorizar materiais recicláveis e usar técnicas ecológicas em busca de um mundo melhor.  

A etapa de catarse (4) possibilitará a aplicação do conhecimento na realidade concreta. É parte do caminho para a apropriação e reelaboração do conhecimento e envolve a superação de conceitos espontâneos iniciais, seguida pela incorporação do conhecimento científico à prática social final (5).

card do curso

Título: Pedagogia Histórico-Crítica: 5 momentos didáticos
Fonte: Saviani (2021).
Elaboração: Prosa (2025h).

Se, inicialmente, o conhecimento do grupo trazia diferentes visões fragmentadas sobre o processo de soldagem, a problematização e a instrumentalização possibilitam novos referenciais que se incorporam às atividades e qualificam a formação do soldador. Conhecimentos de novas tecnologias, de sustentabilidade, de formação humana e de leitura do contexto social vão compor a proposta pedagógica em sua efetivação ao longo do curso.  

Tanto na etapa de instrumentalização como na etapa de catarse, o professor realiza a mediação sobre a prática e a produção do estudante, buscando qualificá-las pela comunicação por meio de diferentes linguagens digitais. Dessa forma, ao planejar o ensino dessa prática profissional – e partindo da contínua observação, discussão, questionamento e análise da soldagem no contexto laboral –, o docente pode propor, no AVA, vídeos selecionados de atividades de soldagem desenvolvidas em laboratório ou em fábrica, com roteiro para subsidiar a análise das práticas de soldagem. Pode propor também que os alunos façam relatórios das práticas observadas, que podem ser individuais ou desenvolvidos colaborativamente em documentos compartilhados. 

Individualmente ou em grupo, as atividades pedagógicas relacionadas ao trabalho como atividade humana e prática social oportunizam o diálogo entre professor e aluno por meio de comentários e discussões sobre as observações realizadas. Essas interações constituem a mediação pedagógica do processo de ensino-aprendizagem em ambientes virtuais. Na interação com os objetos de conhecimento mediada pelos professores, os diferentes sujeitos da turma passam a incorporar à sua consciência e à sua atividade práticas fundamentadas no conhecimento científico e voltadas à transformação social.

Para o aprofundamento dos seus estudos, sugerimos a leitura dos seguintes textos:

A partir dessas reflexões sobre a mediação pedagógica em ambientes virtuais, você consegue imaginar como poderia propor práticas pedagógicas mediadoras para o ensino de conteúdos de sua área, utilizando tecnologias digitais em AVA?

Ainda, para complementar os estudos, acesse o documento com os novos Referenciais de Qualidade de Cursos de Graduação com Oferta a Distância (Brasil, 2025) e faça uma pesquisa para analisar a perspectiva da docência na EaD, a partir dos novos marcos normativos.

Registre suas reflexões em seu Memorial e/ou siga as orientações de seu professor e/ou tutor.

Neste capítulo, compreendemos a importância da mediação pedagógica na atividade docente, especialmente na EaD. Aprendemos, também quais são alguns dos requisitos necessários para que essa mediação aconteça no AVA, a saber, atividades com material didático adequado, atividades síncronas e assíncronas e planejamento prévio. No contexto da EPT, entendemos que o trabalho docente assume uma perspectiva crítica e não tecnicista, voltada à formação integral dos sujeitos, e apontamos que o ensino nesse cenário também pode ser pensado a partir dos cinco momentos didáticos cunhados por Saviani (2021): prática social inicial, problematização, instrumentalização, catarse e prática social final.