No cenário da EaD, o professor exerce um importante papel como conteudista, elaborando e planejando cuidadosamente os materiais didáticos, com ou sem apoio de uma equipe multidisciplinar. Além disso, ele apresenta-se como um orientador do processo de ensino-aprendizagem, na tutoria e na mediação pedagógica.

Cabe ressaltar que é necessário refletir sobre a prática pedagógica em contínuo processo de formação, pois, além de conhecer as ferramentas tecnológicas, o professor deve estar preparado para atuar no sentido de promover a interatividade entre os sujeitos e despertar no aluno a consciência de sua autonomia e o senso de cooperação e de colaboração.

Com a inserção das tecnologias digitais de informação e comunicação e o desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem, a função mediadora do professor foi progressivamente ampliada, com a incorporação crescente de alternativas de comunicação síncrona e assíncrona. São exemplos de dispositivos de comunicação nos ambientes virtuais: chats, fóruns, blogs, videoblogs, dentre outros, que auxiliam o trabalho docente. Por isso, é necessário planejar como e em que momento cada um deles será utilizado, preparando-se para atuar conforme as características e peculiaridades de cada ferramenta. Nosso objetivo, como é lógico, é que a mediação aconteça; para isso, buscamos estratégias para favorecer o diálogo e a participação ativa dos educandos (Souza; Sartori; Roesler, 2008).

Há muitos desafios no caminho da inclusão de estratégias comunicacionais que propiciem a mediação pedagógica, tendo em vista que essa atividade não é neutra e espontânea e não se limita à mera demonstração ou transmissão de conteúdos. A mediação para a formação de uma consciência crítica nos estudantes deve estar vinculada ao trabalho de planejar, é um movimento prévio do ensino necessário a fim de criar condições para que o sujeito desenvolva autonomia na produção do conhecimento. 

Além do esforço crítico do professor para revelar a compreensão da prática social, o binômio ensinar e aprender pressupõe o empenho do aluno como sujeito de aprendizagem. Isso demanda diálogo sobre as vivências de cada estudante, assim como um bom relacionamento entre teoria e prática. Nem sempre é fácil ou mesmo viável atingir esses objetivos na EaD. 

Como mencionado, a incorporação de estratégias comunicacionais virtuais na EPT torna-se uma necessidade para pensarmos em como promover a aprendizagem sem necessariamente compartilhar com os estudantes o mesmo espaço e tempo. Na Pedagogia Histórico-Crítica, desenvolvida por Dermeval Saviani, divulgada em suas obras e também na obra de seus orientandos, a organização do ensino envolve cinco momentos didáticos, denominados: prática social inicial, problematização, instrumentalização, catarse e prática social final (Saviani, 2021). 

Tomando como exemplo o ensino de soldagem, quando se busca entender as limitações e os requisitos de cada tipo de soldagem em produção mecânica e como a soldagem se insere nos processos de produção, a estratégia pode iniciar pela identificação dos conhecimentos prévios dos alunos sobre o tema, ou seja, sua prática social inicial (1). Fóruns de discussão e outras atividades no ambiente virtual de aprendizagem (AVA) podem proporcionar espaços virtuais de mediação para uma aproximação entre professores e estudantes sobre a prática da soldagem e conceitos que a definem, identificando os caminhos possíveis para o aprofundamento.

card do curso

Título: Exemplificação de um Ambiente Virtual de Aprendizagem
Fonte: Prosa (2025f)
Elaboração: Prosa (2025g).