Reflexões Finais

A inserção das tecnologias digitais na EPT representa um grande desafio. Essa inserção não deve ser naturalizada, mas compreendida na sua relação social com os sujeitos envolvidos e na relação destes com a sociedade. É preciso entender tais tecnologias como integrantes de processos de produção, de sistemas de regras e como bens de consumo, explicitando as finalidades e os protocolos de sua elaboração e utilização.

Educar na EPT envolve desafiar permanentemente a pesquisar, a produzir, a publicar e a promover pesquisa comprometida com a extensão e a produção de conhecimentos e tecnologias que ajudem a melhorar a vida das pessoas. A finalidade principal da ciência e da tecnologia deve ser aprimorar a vida em sociedade. 

A sensibilidade em relação às implicações e aos modos de produzir e de utilizar os dispositivos digitais na EPT a distância deve estar presente desde o princípio dos projetos a serem desenvolvidos. Nesse sentido, é fundamental lembrar o caráter social desse trabalho em EaD, que nunca será individual, solitário e pessoal. Esse trabalho não pode estar separado da prática social, pois suas justificativas são inerentemente sociais, e sua obra é coletiva, proveniente da cooperação de muitos.

A EPT pública deve partir de uma perspectiva de formação humana integral, que permita ao educando desenvolver suas potencialidades. Até porque os conhecimentos e as tecnologias desenvolvem-se e são superados de forma tão rápida que são necessárias criatividade e visão ampla dos processos humanos – incluindo os produtivos –, para acompanhar e contribuir com essas mudanças. 

As exigências de um novo perfil de formação para os profissionais da EPT requerem processos pedagógicos que contemplem e concretizem a perspectiva da formação humana integral e emancipatória. Tal princípio formativo possibilita reconhecer e valorizar as singularidades dos grupos sociais e suas aproximações recíprocas, tendo em vista a construção de sínteses das diversidades.

Para que os educandos se constituam como sujeitos da história, é necessário que seja garantida uma educação integral que considere e que valorize seus saberes e que, concomitantemente, convide os estudantes a produzirem novos conhecimentos. É por meio da integração dialética entre ensino, pesquisa e extensão que teoria e prática são unidas como elementos constitutivos da produção do conhecimento.

card do curso

Título: Caminhos da educação emancipatória
Fonte: Schuler (2023a; 2023b; 2023c); Lantec (2018b; 2018c).
Elaboração: Prosa (2025g).

A compreensão da realidade concreta enquanto totalidade dialética, aliada à reflexão sobre ela – elevando o concreto ao nível de pensamento –, produz a teoria, elemento essencial para a intervenção nessa realidade. Com isso, os sujeitos adquirem condições de compreendê-la e transformá-la. 

O conhecimento teorizado e sistematizado produz ciência, que cria conceitos e métodos cuja objetividade permite a transmissão para diferentes gerações. Esses conhecimentos serão questionados e superados historicamente pelas gerações futuras, num movimento permanente de construção de novos conhecimentos.

Nesse processo, um dos papéis dos educadores em EPT é possibilitar que o educando consiga identificar a historicidade do avanço das forças produtivas e o papel das classes sociais no desenvolvimento dos processos produtivos. Portanto, o emprego de tecnologias digitais na Educação Profissional e Tecnológica a distância requer a problematização de iniciativas limitadas a prescrições fechadas e rígidas. Além disso, exige a valorização de diferentes possibilidades de utilização dos recursos disponíveis e a promoção da interação e do diálogo, considerando a proximidade desses meios com as culturas e as práticas dos sujeitos envolvidos.

card do curso

Título: O emprego de tecnologias digitais na Educação Profissional e Tecnológica
Elaboração: Prosa (2025h).

Com base nas Diretrizes Gerais da Política Nacional de Formação de Profissionais para a Educação Profissional e Tecnológica, podemos dizer que as finalidades e os fundamentos do trabalho de formação para a EaD devem estar a serviço do interesse público, do bem-estar coletivo, dos direitos humanos, da justiça social, da qualidade de vida, do futuro do país e da humanidade. Seus processos, produtos e serviços devem ser orientados pela qualidade socialmente referenciada, apoiando o desenvolvimento de projetos de educação emancipatórios e fortalecendo no Brasil um projeto de sociedade comprometido com a sua própria transformação, tendo por base regras éticas e de solidariedade social.