A gestão da EPT integral e integrada em uma experiência concreta

Neste capítulo, teremos contato com duas práticas inspiradoras. A primeira é oriunda do movimento popular. O sindicalismo brasileiro construiu, ao longo da história, uma tradição de escolas auto-organizadas, com o objetivo de elevar o nível de consciência dos trabalhadores e oferecer formação profissional. Observaremos uma experiência desenvolvida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) na década de 1990, que ficou sistematizada em um livro com relatos dessas práticas.

A segunda prática inspiradora é relativa a uma proposta de avaliação da EPT, resultante de um mestrado profissional do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre (Ifac). Ela envolve a avaliação do trabalho docente no Ifac, ou seja, enfoca uma das atividades do processo pedagógico da EPT integral e servirá como ilustração dos conceitos que trabalhamos no capítulo.

1° Caso: Escola Sindical 7 de Outubro

No âmbito de convênio entre o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a CUT, em 1999, a central impulsionou um conjunto de escolas de formação sindical em todo o país. Os objetivos eram a formação político-sindical e a qualificação profissional, articulando essas duas dimensões a partir da perspectiva politécnica. Em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, se desenvolveu a experiência da Escola 7 de Outubro, que, na verdade, já desenvolvia atividades desde 1987. Ao ler o texto de Shirley Aparecida Miranda (1999), que relata essa experiência, analise a construção do planejamento e as iniciativas de organização da escola, com especial atenção ao conceito de sistematização, que trabalhamos na primeira parte deste capítulo.

2° Caso: Proposta de avaliação do trabalho docente no Ifac

O produto educacional resultante da dissertação de mestrado de Rosiane Ferreira Lima, com a coautoria de Ricardo dos Santos Pereira, intitulado Proposta de Sistematização do Planejamento e Avaliação do Trabalho Docente na EPT, segundo os autores

foi criado com a finalidade de apoiar a COTEP [Coordenação Técnico-Pedagógica] e os docentes na melhoria de suas práticas pedagógicas, a partir de um planejamento mais adequado e uma avaliação do trabalho docente mais efetiva.
O planejamento docente permite que os professores definam objetivos, estruturando o conteúdo de forma que atenda aos objetivos de aprendizagem

(Lima e Pereira, 2024, p. 6).

Identifique, neste produto educacional, dois dos conhecimentos específicos trabalhados neste capítulo: direção e avaliação.

Não esqueça de anotar suas reflexões em seu Memorial e/ou seguir as instruções de seu tutor.

Este capítulo foi desenvolvido em torno dos conhecimentos práticos que envolvem a administração de uma instituição de EPT. Mobilizamos, para isso, os principais conceitos discutidos nos capítulos anteriores, desde a caracterização geral da EPT integral e integrada, com base na ideia de educação politécnica, passando pela construção do conceito de gestão integral, até a discussão sobre o planejamento estratégico. Aplicamos tais noções para visualizar os conhecimentos relativos ao planejamento, à organização, à direção e à avaliação da EPT.

Com isso, esperamos que a você, cursista, tenha sido oportunizado um percurso que permita a análise crítica da formação dos trabalhadores. A visão aqui apresentada tem por base a transformação social, a superação dos processos pedagógicos restritivos que são próprios à natureza exploratória do capitalismo e a edificação de uma escola que se orienta pela transição histórica organizada das classes populares.

Não é possível transitar de uma realidade histórica a outra sem pensar os problemas que envolvem a educação dos povos. Especificamente, o tipo de escola e as novas formas de administrá-la sempre estarão em debate. Esta unidade temática, consciente desses desafios, buscou apresentar uma visão teórico-prática que subsidie a discussão sobre esses problemas e a projeção de alternativas.