Desafios da gestão para a qualidade na EaD
De modo geral, a institucionalização da EaD nas instituições públicas de ensino no Brasil ainda está em estágio inicial e representa um grande desafio, principalmente devido à necessidade de mudança de mentalidade de toda a comunidade acadêmica. A gestão da EaD, nesse contexto, envolve a adaptação da estrutura organizacional da instituição para assimilá-la, o que requer mudanças nos recursos materiais, humanos, financeiros, informacionais e espaciais, além de uma gestão eficiente desses recursos. Embora a institucionalização da EaD seja fundamental para o sucesso da formação, a plena integração da EaD nas instituições públicas de ensino no Brasil ainda apresenta desafios significativos aos gestores, sobretudo naquelas que ofertam educação profissional e tecnológica.
Como destacam Martins e Mill (2018), a compreensão da qualidade em EaD deve dar-se em uma perspectiva polissêmica e multifacetada, levando em conta tanto as condições internas quanto externas das instituições, nas esferas individual e coletiva, subjetiva e objetiva. Na perspectiva de uma gestão democrática e colegiada (Cury, 2004; Libâneo, Oliveira e Toschi, 2012; Paro, 2016), a gestão da EaD precisa envolver os diversos interessados no processo de ensino-aprendizagem, como estudantes, professores, gestores, governos e outros grupos. Adicionalmente, do ponto de vista prático, a qualidade na EaD exige um acompanhamento constante de aspectos diversos, incluindo materiais didáticos, o ambiente virtual de aprendizagem, a interação entre alunos e professores e o desempenho dos estudantes (Müller et al., 2003).
Como mencionado, no contexto da formação integral na Educação Profissional e Tecnológica, a implementação da EaD precisa respeitar e se adaptar às especificidades da EPT e às necessidades locais, mantendo sempre o foco em uma formação emancipatória e transformadora, que valorize o trabalho e a prática social como geradores de conhecimento. Sob uma perspectiva socialmente referenciada, a qualidade na EPT deve ser avaliada com a participação mais ativa dos envolvidos e da comunidade, considerando as condições sociais, culturais e econômicas dos alunos, assim como o impacto da formação na realidade em que estão inseridos.
A qualidade da EaD não se limita a garantir uma experiência de aprendizagem similar à da educação presencial, devendo ser vista como uma ferramenta para democratizar o acesso à educação, especialmente no contexto da EPT, contudo alcançar os estudantes não atendidos pela educação presencial só é justificável se houver qualidade nos cursos ofertados pela EaD. Os gestores da EaD devem assegurar infraestrutura tecnológica adequada, adotar metodologias pedagógicas que incentivem a participação mais ativa e o desenvolvimento integral dos alunos e oferecer suporte contínuo para assegurar a permanência e o sucesso dos estudantes. A longo prazo, é fundamental manter padrões de qualidade, com foco nas necessidades dos alunos e na transformação social, para garantir o sucesso sustentável da EaD.
Por isso, Martins e Mill (2018) enfatizam que a qualidade na EaD é multifacetada, envolvendo aspectos como excelência acadêmica, uso eficiente de recursos, acessibilidade, equidade, interação entre alunos e professores e suporte técnico adequado. Além disso, a EaD deve ser inclusiva, promovendo o direito à educação para todos, independentemente do contexto socioeconômico dos alunos, para isso, a noção de qualidade implícita na institucionalização da EaD envolve alguns indicadores-chave.
.png)
Título: Indicadores de qualidade para EaD
Fonte: Martins e Mill (2018).
Elaboração: Prosa (2025f).
Esses indicadores, quando articulados, monitorados de forma contínua e alinhados às realidades locais, ajudam a identificar pontos fortes e áreas de melhoria no processo de gestão da EaD na EPT, permitindo ajustes estruturais para garantir que a EaD seja uma ferramenta efetiva de inclusão, emancipação e transformação social na formação dos alunos. Por isso, devem ser institucionalizados no sistema de EaD.