Institucionalização e gestão profissionalizada na EaD
A partir da compreensão geral do conceito de institucionalização da EaD, é possível avançar na definição e caracterização do tema, então vamos partir da noção de institucionalização da EaD como um processo gradual e complexo no qual a EaD é integrada de forma orgânica às estruturas e práticas de uma organização, tornando-se parte integrante de suas operações. De acordo com Ferreira e Mill (2014) e Battestin et al. (2023), esse processo envolve a estabilização de procedimentos e comportamentos, resultando na aceitação e incorporação permanente da EaD na cultura organizacional de instituições educacionais, como instituições públicas que ofertam EPT. A Teoria Institucional, que explora como organizações se adaptam às pressões externas e internas, oferece a base para entender esse fenômeno, apontando como as normas, os valores e as práticas culturais podem influenciar na adoção de inovações como a EaD (Chaquime, 2019).
Conforme estudos de Tolbert e Zucker (1999), a institucionalização da EaD segue o ciclo com três fases das inovações: habitualização (quando novas práticas se tornam rotineiras), objetificação (quando essas práticas se consolidam no cotidiano organizacional) e sedimentação (quando elas se tornam parte integral da estrutura organizacional). O processo pode ser influenciado por pressões externas, como políticas educacionais e normas culturais, e também por adaptações internas das instituições, como ilustrado pelo infográfico.
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Título: Momentos sequenciais da institucionalização da EaD
Fonte: Tolbert e Zucker (1999).
Elaboração: Prosa (2025b).
Miles (1986) aponta três estágios e fatores que facilitam ou dificultam a inovação organizacional no seio educacional: a iniciação, a implementação e a institucionalização. Com base em seus estudos sobre inovação, podemos entender a integração bem-sucedida da EaD às instituições públicas brasileiras como um processo que envolve a incorporação da inovação às estruturas e recursos institucionais, a eliminação de práticas concorrentes ou conflitantes, o estabelecimento de fortes conexões entre a inovação e outros processos educacionais, a garantia da ampla utilização da inovação no ambiente institucional e a formação de um grupo de facilitadores locais para auxiliar na implementação da referida inovação.
Sabemos que a EaD, por suas especificidades, exige mudanças substanciais nas instituições, tornando o processo de institucionalização desafiador, no entanto, entendemos que, ao ser incorporada de forma planejada e estratégica, a EaD pode se consolidar como uma prática educacional legítima, ampliando o acesso a uma educação integral, socialmente referenciada e respondendo a novas demandas pedagógicas.
Para Araújo et al. (2013), o planejamento de um curso à distância envolve diversos elementos, como fontes de conteúdo, elaboração do programa ou curso, definição de mídias, organização e disponibilização dos materiais didáticos, interação entre educadores e estudantes e gestão do ambiente virtual de aprendizagem (AVA), além das especificidades do perfil do estudante da EaD. Esses atores podem ser considerados como subsistemas, exigindo do gestor da EaD a adoção de uma visão holística do processo e a compreensão da interdependência entre os subsistemas. Adaptado de Mill e Yamagushi (2017), o infográfico apresentado abaixo facilita a identificação dos elementos vitais de um sistema de EaD.
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Título: Elementos de um sistema de EaD essenciais ao gestor pedagógico
Fonte: Mill e Yamagushi (2017).
Elaboração: Prosa (2025c).
Autores enfatizam que o modelo de gestão adotado pela instituição tem implicações diretas nas práticas e formas de interação entre todos os envolvidos no sistema, influenciando o processo de ensino-aprendizagem. Outra consideração fundamental é que a EaD representa um esforço para flexibilizar a estrutura tradicional da educação presencial, criando novas formas de experimentar os tempos e espaços de ensino-aprendizagem, além de flexibilizar a organização curricular, como ressalta Mill (2014).
A partir dos estudos de Ferreira e Mill (2014) e Ferreira e Carneiro (2015), podemos afirmar que o processo de institucionalização da EaD é gradual, ocorrendo em diferentes perspectivas, uma vez que as experiências de cada instituição são diversas e influenciam diretamente o andamento da institucionalização da EaD em contextos específicos. No entanto, algumas diretrizes podem ser seguidas de forma mais generalizada no processo de integração da EaD, como apresentado abaixo.

Título: Perspectivas do processo de institucionalização da EaD
Fonte: Ferreira e Mill (2014); Ferreira e Carneiro (2015).
Elaboração: Prosa (2025d).
A partir de autores como Nascimento e Vieira (2016), Ferreira e Mill (2014), Ferreira, Nascimento e Mill (2018) e Ferreira e Carneiro (2015), podemos considerar algumas ações-chave para a institucionalização da EaD. São ações que envolvem política de EaD no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e no Projeto Pedagógico de Curso (PPC), regimento específico para EaD, diretoria dedicada à EaD, formação continuada para a equipe, integração dos sistemas institucionais (AVA, gestão acadêmica etc.), equidade na assistência estudantil (presencial e EaD), oferta de disciplinas híbridas e intercambiáveis (presenciais e EaD) e fomento a pesquisas sobre práticas de EaD institucional.
Em complemento, Bizarria, Tassigny e Silva (2016) apontam que a institucionalização da EaD envolve aspectos como:
- contexto institucional;
- aprendizagem organizacional;
- planejamento da oferta;
- legitimidade da EaD na instituição;
- resistência à EaD;
- eventos de mudança;
- suporte tecnológico disponível;
- papel dos envolvidos no processo;
- implantação de cursos;
- envolvimento dos diferentes setores da instituição;
- ações específicas de institucionalização.
Em seus estudos, Chaquime (2019) apresenta alguns indicadores que refletem o grau de incorporação da EaD às estruturas administrativas das instituições públicas de ensino, sendo estes apresentados no infográfico abaixo.
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Título: Indicadores de incorporação da EaD às instituições públicas de ensino
Fonte: Chaquime (2019).
Elaboração: Prosa (2025e).
Além disso, é crucial que os gestores da mudança considerem abordagens criativas, proativas e realistas, como sugerido por Preedy, Glatter e Levacic (2006), para garantir a viabilidade do processo de institucionalização. É importante lembrar que as mudanças ocorrem ao longo do tempo e as resistências devem ser antecipadas e paulatinamente mitigadas, assim, investir na formação de professores e na organização institucional é essencial para o sucesso dessa transformação. Para promover a institucionalização da EaD, não podemos subestimar a organização do trabalho docente e a remuneração adequada dos profissionais envolvidos, como falhou o Sistema UAB; entendemos que a incorporação adequada da EaD requer que os docentes, incluindo tutores, tenham vínculo formal com a instituição, de forma semelhante aos docentes dos cursos presenciais.
Considerando os diversos processos que envolvem a institucionalização da EaD, convidamos você, cursista, a acessar o PDI da sua instituição e o PPC do curso em que atua. Na sequência, pesquise e faça um levantamento de quais tópicos que envolvem a EaD são citados nesses documentos, de acordo com as discussões trabalhadas na unidade. A partir desse levantamento e de sua experiência, faça uma avaliação sobre o processo de institucionalização da EaD buscando identificar indicadores de qualidade, possíveis lacunas e sugestões de melhoria.
Registre as observações em seu Memorial e/ou siga as orientações de seu professor e/ou tutor.