Evolução da estruturação da EaD e busca pela profissionalização da gestão

A EaD, como é conhecida hoje, tem origem em métodos mais tradicionais, permeados pelo uso de correspondência, rádio e televisão. Contudo, a EaD se transformou significativamente com o advento da internet e das tecnologias digitais, que permitiram maior interatividade e flexibilidade no processo educativo (Mill, 2014; Mill, 2015). A partir da década de 1990, as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) alteraram profundamente a EaD, abrindo novas possibilidades de ensino-aprendizagem por meio de ferramentas essenciais, como plataformas on-line, ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), videoconferências, fóruns e outros recursos interativos. A internet, por exemplo, possibilitou que o processo de ensino-aprendizagem ocorresse de maneira mais flexível quanto a horários e locais, superando as limitações tradicionais da educação presencial. Portanto, é importante que a gestão da EaD considere as opções e possibilidades tecnológicas para criar novas e melhores condições pedagógicas não presenciais.

A evolução tecnológica da comunicação - da carta ao digital

Título: A evolução tecnológica da comunicação - da carta ao digital
Fonte: Prosa (2025c).

Historicamente, os gestores da EaD adotam estratégias administrativas que se originaram nos esforços pioneiros de gestão consolidados no século XX. Diversos autores, como Belloni (2001), Mill e Veloso (2021), Mill (2022), destacam que as principais funções da administração – como planejamento, organização, direção e acompanhamento – e os recursos necessários (tempo, dinheiro, pessoas, instalações e informações) são componentes essenciais na gestão educacional.

No entanto, a gestão da EaD apresenta peculiaridades que exigem uma abordagem diferenciada. O gestor da EaD precisa reconhecer que o processo educativo é distinto do processo produtivo (Hora, 1994) e que a gestão educacional requer cuidados específicos (Preedy, Glatter e Levacic, 2006). Um exemplo importante é considerar a própria noção de gestão democrática da educação vigente atualmente nas instituições de ensino, que nasceu do embate entre as concepções científico-racional e autogestionária (Libâneo, Oliveira e Toschi, 2012).

Nesse contexto, é fundamental que a gestão da EaD leve em conta as diversas condições e posições das pessoas envolvidas no processo, adotando uma abordagem colegiada, democrática e participativa. No caso da EaD em instituições de educação profissional e tecnológica, esse processo deve ainda considerar a própria essência da EPT de promover formação integral, emancipatória e potencialmente transformadora, na qual o trabalho é princípio educativo e a prática social e os educandos são produtores de conhecimento. Assim, a gestão da EaD na EPT deve basear-se nesses pilares, fundamentando-se na gestão profissional do processo de formação nesse contexto, que, como em qualquer instituição, é dinâmico e complexo, conforme será detalhado a seguir.

A gestão de sistemas da EaD deve envolver o planejamento, a organização, a direção e o acompanhamento, considerando os recursos materiais, físicos, técnicos e humanos disponíveis. Para que o gestor de EaD consiga implementar um programa de formação à distância com a qualidade desejada, é fundamental que ele planeje e organize cuidadosamente todas as etapas do sistema e acompanhe os diversos fatores envolvidos no desenvolvimento do curso. 

Como apontam Libâneo, Oliveira e Toschi (2012), o modelo de gestão democrático-participativa da educação precisa incorporar elementos da administração científica e de modelos técnico-científicos – embora mantenha-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola, primando pela gestão colegiada e profissionalizada. Considerando que a gestão da EaD tem raízes na administração científica, é importante incorporar elementos da gestão de projetos administrativos, como o ciclo dinâmico da gestão de projetos (Roldão, 2004). Conforme ilustra o organograma abaixo, essa abordagem inclui o planejamento, a execução e o controle do processo, sempre considerando os recursos e o tempo disponível, além dos aspectos relacionados ao custo-benefício e ao cumprimento dos objetivos.

Organograma do ciclo dinâmico na gestão de projetos

Título: Organograma do ciclo dinâmico na gestão de projetos
Fonte: Prosa (2025d).

Com base nessas considerações, os gestores de sistemas de EaD podem aprimorar a organização e a coordenação dos processos envolvidos, buscando uma gestão mais profissionalizada. Diversos autores apontam diferentes perspectivas que contribuem (direta ou indiretamente) para o planejamento e a gestão de sistemas de EaD, que também auxiliam na definição e avaliação da escala e abrangência do sistema, bem como na organização dos componentes de um sistema de gestão. Para quem deseja aprofundar nos estudos sobre o tema, recomendamos consultar os trabalhos de Ribeiro Neto, Tavares e Hoffmann (2008), Peters (2009) e Moore e Kearsley (2008; 2013). Eles oferecem contribuições valiosas sobre o planejamento e a gestão de sistemas de EaD, destacando a necessidade de uma visão abrangente e integrada do sistema.

Destacamos também a contribuição do autor peruano Greville Rumble (2003), que  aponta como a organização do sistema da EaD pode ser voltada para o indivíduo ou para a instituição, dependendo da escala e complexidade do processo formativo. Sistemas de menor escala, como cursos de extensão ou disciplinas isoladas, geralmente focam no atendimento individual, enquanto sistemas mais amplos, como cursos de graduação, exigem uma gestão mais abrangente, considerando aspectos como recursos, infraestrutura, legislação e proposta pedagógica. A seleção e formação de tutores, por exemplo, são essenciais em programas de maior porte. Portanto, uma das primeiras perguntas que devemos responder ao planejar um sistema de EaD é: qual a escala e a abrangência do sistema que se deseja implementar? O modelo de EaD de cada instituição será configurado em função da resposta a essa questão.