O ensino, a pesquisa e a extensão: tempos e espaços para a construção de uma pedagogia da diversidade
A indissociabilidade de pesquisa, ensino e extensão como princípio fundante da formação integrada, além de trazer a marca da omnilateralidade (o compromisso com a transformação social), constitui-se em tempo e espaço de promoção de uma política da diversidade na EPT.
Fazemos este apontamento porque esse princípio oferta a ideia de formação de pessoas a partir da produção de conhecimento mobilizado pela investigação da realidade, socialmente referenciado e vinculado às demandas nas quais os sujeitos estão inseridos. Isso significa produzir a educação sob um tripé indissociável, não podendo um ser pensado sem o outro, mas que uma dimensão é provocadora da outra. Desse modo, o ensino é efeito do que se pesquisa, e o que se pesquisa é efeito de como atuamos na extensão junto às comunidades e de que modo contribuímos com elas com saberes e conhecimentos dados à investigação e à discussão coletiva.
Assim sendo, segundo os professores Gionara Tauchen e Altair Alberto Fávero (2011, p. 417),
A indissociabilidade, para ser compreendida, demanda o desenvolvimento e ampliação das percepções dos sujeitos, construindo relações, interações, interconexões, processos e sistemas abertos, produzindo conhecimentos a partir dos inseridos no contexto social.
O fortalecimento da indissociabilidade entre pesquisa, ensino e extensão é um espaço potente para a implementação de uma proposta que discuta como produzimos conhecimento, com quem produzimos e sobre quais conhecimentos produzimos. Além de ser um espaço formativo, provoca sentidos sobre em qual sociedade queremos viver e qual formação humana promovemos na EPT.
Esse tripé tem comprometimento com a transformação social, na medida em que se constrói consciência de um problema e deste se evoca a criticidade, a troca de saberes e as proposições para intervenção na realidade. Oswaldo Alonso Rays (2003), seguindo esta linha, afirma que a indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão tem a função de promover interatividade crítica entre eles.
Cabe à gestão não apenas estimular, mas criar condições institucionais que fomentem o desenvolvimento desse tripé, focado no compromisso com as maiorias que foram minorizadas historicamente.
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Título: O tripé ensino-pesquisa-extensão
Fonte: Prosa (2025f).
Elaboração: Prosa (2025e).
Pensar esse tripé a partir destes elementos é entender que a gestão pode ser promotora de uma pedagogia da diversidade, aqui compreendida como uma pedagogia que se move, que se retroalimenta da pluralidade de saberes e que se destina à vida em sua plenitude, em busca da superação do caráter homogeneizador, capitalista, mercadológico e desumano que atravessa nossa sociedade pela sua história colonial pautada no racismo-capitalismo-patriarcal.
Assim, é preciso refletir como os projetos, as bolsas de iniciação à pesquisa e à extensão, os editais e os recursos em geral se dirigem aos sujeitos e às comunidades. É fundamental considerar como as pesquisas e os projetos extensionistas lidam com a valorização da cultura afro-brasileira e indígena preconizada pela legislação. Nesse sentido, é necessário promover uma troca dialética entre os saberes acadêmicos e/ou escolares e os saberes populares ancestralmente construídos. As instituições devem apoiar e fortalecer os arranjos produtivos, sociais e culturais locais, em vez de se colocarem acima destes e desconsiderarem os interesses da vida concreta das pessoas. Além disso, é crucial mobilizar a comunidade acadêmica para lançar esforços que viabilizem a participação de estudantes que ingressam nas instituições por meio de Ações Afirmativas.
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Título: A efetivação das ações afirmativas nas instituições de ensino público
Fonte: Schüler (2023b).
Elaboração: Prosa (2025g).
É fundamental compreender o caráter pedagógico de decisões administrativas, técnicas e políticas, pois a sala de aula é todo e qualquer espaço – dentro e fora da instituição – em que se apreende e se (re)constrói o processo sócio-histórico em suas múltiplas determinações.
Para refletir: diversidade no ensino, pesquisa e extensão
No decorrer deste capítulo, fizemos algumas indagações para que pudéssemos mobilizar reflexões internas e avaliarmos nós mesmos e a instituição onde atuamos. Agora, retomamos algumas delas abaixo. Responda às perguntas observando algum projeto de pesquisa e/ou extensão desenvolvido em sua escola/campus.
Como as pesquisas e projetos extensionistas se portam frente à relação da valorização da cultura afro-brasileira e indígena preconizada pela legislação? Há troca dialética entre os saberes acadêmicos e/ou escolares e os saberes populares ancestralmente construídos? Portamo-nos como instituições que apoiam e fortalecem os arranjos produtivos, sociais e culturais locais ou como instituições que se colocam acima destes e desprezam os interesses da vida concreta das pessoas?
Lembre-se de registrar suas reflexões em seu Memorial e/ou seguir as orientações de seu tutor.