Reflexões sobre o desenvolvimento histórico da EaD no Brasil e no mundo
O debate sobre qualidade na EaD é complexo e demanda um olhar atento para questões multifacetadas. De qualquer forma, a análise histórica que fizemos neste primeiro capítulo esclarece que as experiências de cursos a distância são diversas, em distintos níveis e contextos. Podemos falar, pois, de experiências de boa e de má qualidade. E, acima de tudo, é importante considerar o papel histórico que a EaD ocupa no que se refere à expansão e, consequentemente, à democratização do acesso à educação, especialmente àquela de nível superior.
Dito isso, é possível chegar à conclusão de que a EaD é uma ótima opção para a formação continuada. Isso porque o ensino a distância flexibiliza os processos pedagógicos. A flexibilização, por sua vez, é fundamental para oferecer acesso educacional a pessoas que, devido a situações diversas, não conseguem estudar por meio da educação presencial. Podemos afirmar, portanto, que a EaD democratiza o acesso.
Para inspirar suas reflexões, voltemos à perspectiva histórica dos primeiros registros de cursos a distância nos Estados Unidos apresentados por Moore e Kearsley (2007). À época, o machismo estrutural impedia que muitas mulheres acessassem a educação formal. Pais e maridos truculentos podem ser citados como exemplos de percalços que faziam com que muitas mulheres fossem impedidas de estudar. A EaD, configurando-se como ensino por correspondência no século XIX, surge como uma importante iniciativa para dar acesso educacional a um público historicamente impedido de acessar a formação. Essa experiência serve-nos de embasamento para ratificar o potencial democrático dos cursos a distância. Potencial esse que está vinculado, como já dissemos, à flexibilidade de tempo e espaço que a EaD traz consigo.
Mas, cabe repetir, nem todo curso a distância possui qualidade ou mesmo democratiza o acesso. Existem experiências boas e ruins, de maior ou menor qualidade, tanto na educação presencial convencional como na EaD. Diversos são os fatores que devem ser considerados quando pensamos nessa qualidade. Profissionais devidamente formados e com condições adequadas de trabalho, infraestrutura tecnológica robusta, materiais didáticos bem elaborados e acompanhamento pedagógico individualizado são alguns exemplos de aspectos que convergem para a qualidade dos cursos a distância. Portanto, estudar na EaD, se estamos falando de bons cursos, não implica estudar menos, mas sim ter flexibilidade: esse elemento é essencial para que muitas pessoas tenham acesso à educação formal, no caso de existirem condições adversas que impedem o acesso aos sistemas educacionais convencionais.
Para refletir: EaD, estudo e flexibilidade
Depois de aprofundarmos acerca do desenvolvimento histórico da EaD, vamos mobilizar os conteúdos apresentados ao longo do capítulo para melhor compreendê-los. Reflita sobre a situação-problema a seguir e analise atentamente a experiência relatada.
Alberto é professor de um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Sua trajetória acadêmica compreende um bacharelado em Engenharia Civil e, posteriormente, mestrado e doutorado na mesma área. Ao sair da pós-graduação, Alberto atuou durante alguns anos na iniciativa privada, numa construtora. Porém, em certo momento de sua carreira, decidiu prestar o concurso do instituto e foi aprovado como docente, em regime de dedicação exclusiva. Atuando em cursos de graduação e cursos técnicos de nível médio, Alberto sentiu a necessidade de continuar se aperfeiçoando, dessa vez na área pedagógica, visando suprir lacunas da sua formação, que não contemplava especificamente a docência. O grande desafio é que Alberto, em tal momento de sua vida, é casado e tem duas filhas. Sua rotina de 40h semanais, juntamente com as demandas da vida privada, dificultam o acesso a cursos presenciais de sua região. Ele opta, portanto, pela EaD, devido à flexibilidade de poder estudar em tempos e espaços que se encaixam em sua rotina.
- Podemos afirmar que, de fato, a EaD é uma boa opção para Alberto?
- De que forma analisar a história e o desenvolvimento da EaD nos ajuda a pensar nessa forma e organização de oferta educacional como uma boa opção para pessoas que, de outra forma, não poderiam continuar os estudos?
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Para finalizarmos este capítulo, vejamos algumas práticas inspiradoras. Trata-se de relatos de estudantes que, devido à flexibilidade da EaD, puderam voltar aos estudos. São depoimentos de discentes da Universidade Aberta de Portugal (UAb), instituição pública portuguesa que é voltada exclusivamente à oferta de cursos a distância.
Título: Estudantes da Universidade Aberta de Portugal falam sobre a flexibilidade na EaD
Fonte: UAb (2021).