A avaliação da aprendizagem nos contextos presenciais e a distância

A avaliação da aprendizagem na EPT apresenta semelhanças significativas entre a educação presencial e à distância, especialmente quando se considera o objetivo central de ambas: assegurar a formação humana integral de um cidadão criativo, crítico e preparado para enfrentar as adversidades do mundo do trabalho. Embora os contextos sejam distintos, os princípios e práticas avaliativas compartilham pontos em comum que destacam a natureza integradora da EPT.

O processo é o mesmo: o momento do diagnóstico articula-se à problematização da prática social, a partir do contexto em que os estudantes estão inseridos. Em seguida, o professor, atuando na mediação do processo de ensino-aprendizagem, oferece subsídios teóricos e práticos para que os estudantes analisem e proponham intervenções para as questões identificadas. Por fim, o professor avalia, ao final do processo, se os estudantes romperam a barreira do senso comum, se apropriando dos conhecimentos teóricos e práticos construídos socialmente ao longo da história humana, e se estão aptos à prática social como sujeitos transformadores da realidade.

A clareza nos critérios de avaliação é um ponto em comum nas duas situações. Em ambas, é essencial que os estudantes compreendam os critérios utilizados para acompanhar sua evolução, garantindo transparência e objetividade no processo avaliativo. Rubricas detalhadas, por exemplo, podem ser empregadas para projetos ou relatórios, ajudando a alinhar expectativas e metas entre alunos e professores.

A importância do parecer também é um elemento compartilhado. Tanto no presencial quanto na EaD, as devolutivas construtivas desempenham um papel crucial ao oferecer ao aluno informações sobre seu desenvolvimento, apontando pontos fortes e áreas de melhoria. Essa prática promove uma aprendizagem mais reflexiva e orientada, permitindo que o estudante ajuste suas abordagens e alcance melhores resultados.

Por fim, em ambos os contextos, a avaliação é projetada para engajar os alunos e motivá-los a participar ativamente do processo de ensino-aprendizagem. Atividades desafiadoras e contextualizadas, como projetos integradores, estudos de caso e simulações de situações reais do mundo do trabalho, são estratégias comuns utilizadas.

Por outro lado, há algumas diferenças que podemos destacar acerca da implementação da avaliação na EaD e no presencial. Na EaD, esse processo envolve novas ferramentas, mas também novos desafios.

O formato de interação é uma das características mais substanciais. No ensino presencial, a avaliação ocorre em salas de aula, em laboratórios ou fora do espaço tradicional, permitindo interação direta e imediata entre professores e estudantes. Isso possibilita uma comunicação mais fluida e uma melhor adaptação do ensino às necessidades individuais. Em contraste, na EaD, a interação é mediada por tecnologias e ambientes virtuais. Esse ambiente é sua sala de aula, mas ele também pode dificultar a troca de informações em tempo real e reduzir a capacidade do professor de identificar dificuldades específicas dos estudantes.

Nesse sentido, tradicionalmente, provas escritas, apresentações e projetos são utilizados como ferramentas que podem auxiliar na avaliação, a partir das quais os estudantes podem elaborar sobre o conhecimento aprendido. Com a perspectiva da EPT em EaD, podemos utilizar ferramentas digitais para impulsionar novas metodologias e atividades.

Valorização da construção do conhecimento na avaliação da aprendizagem

O artigo “Avaliação formativa em ambientes de EaD"  (Otsuka e Rocha, 2020) oferece um exemplo de prática inspiradora que destaca uma mudança de paradigma na avaliação da aprendizagem de um modelo de testes e exames para um modelo que valoriza a construção do conhecimento pelos estudantes, tanto quantitativa quanto qualitativamente, ao longo do processo.

A avaliação baseada em performance é apresentada como uma forma de avaliação formativa focada no acompanhamento durante o desenvolvimento de tarefas significativas. Para isso, é utilizado um ambiente virtual de aprendizagem desenvolvido na Unicamp, no final dos anos 1990 e bem difundido no início dos anos 2000, denominado TelEduc. O ambiente TelEduc apoia a aprendizagem baseada na resolução de problemas, com ferramentas de comunicação como fórum, bate-papo e portfólio, onde as interações são registradas. Entretanto, seu diferencial é a ferramenta InterMap, que gera grafos  de interações e acessos e auxilia na visualização de dados quantitativos das interações entre os participantes do curso. O artigo explora experiências de avaliação formativa em cursos totalmente à distância e apresenta iniciativas que utilizam agentes de software para acompanhar interações e colaborar na avaliação, além do uso de mineração de dados para identificar padrões de comportamento dos aprendizes e de ambientes de suporte ao trabalho em grupo e à avaliação. Para conhecer um pouco mais sobre o TelEduc, acesse este tutorial.

Na EaD, a dependência de ferramentas digitais é significativa, incluindo quizzes on-line, submissão de trabalhos via AVA e o uso de softwares específicos para acompanhamento e correção. A utilização dessas ferramentas oferece vantagens como a automação da correção e devolutivas instantâneas, mas também apresenta limitações, como a impossibilidade de aplicação de certas modalidades de representação do conteúdo, tais como a modalidade tátil.

Também há diferenças na atividade de acompanhamento do processo avaliativo. Por exemplo, no ambiente presencial, o professor pode acompanhar diretamente os alunos durante as avaliações presenciais, garantindo que as instruções sejam seguidas e minimizando tentativas de fraude. Na EaD, a depender da situação avaliativa, esse acompanhamento depende de tecnologias mais modernas, como softwares de gravação de vídeo e rastreamento de tela. Apesar de serem ferramentas avançadas, esses sistemas podem gerar problemas relacionados à privacidade dos alunos e nem sempre são acessíveis a todos, especialmente em regiões com infraestrutura tecnológica limitada.

A presença física do professor no ensino presencial pode estimular o engajamento e a participação dos alunos, facilitando a resolução de dúvidas e a orientação individualizada. Em contrapartida, na EaD, ainda que o professor tenha a tarefa de ser também um mediador ativo, é exigido um grau maior de autonomia dos estudantes, pois eles precisam gerenciar seu tempo e realizar as atividades sem uma supervisão constante. Para alguns estudantes, essa liberdade pode ser benéfica, incentivando a autonomia de aprendizagem; no entanto, para outros, pode se tornar um obstáculo, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades na autogestão do tempo e na disciplina de estudos.

Na educação presencial, os professores podem personalizar as avaliações conforme a dinâmica da turma e as dificuldades observadas em tempo real. Já na EaD, apesar de oferecer maior flexibilidade nos prazos e formatos de entrega, há o desafio de realizar ajustes instantâneos. Isso ocorre porque os materiais didáticos e muitas das atividades e avaliações foram elaborados previamente, vinculados a esses materiais e com suas aplicações (presenciais ou à distância) já agendadas. Apesar dessa organização prévia na EaD, as tecnologias digitais, inclusive a inteligência artificial, podem auxiliar na personalização a partir de ações de acompanhamento dos processos de ensino-aprendizagem dos estudantes. Vale frisar que, para irmos além do tradicional na EaD, é possível incorporar atividades colaborativas que apoiem a autorreflexão e autonomia dos estudantes, permitindo que, além de sua criatividade, possam gerenciar suas habilidades sociais e culturais na troca necessária entre os membros da comunidade de aprendizagem criada.

Outra diferença muito importante entre os modelos refere-se às ferramentas para verificar a autenticidade das avaliações. No ambiente presencial, é mais fácil garantir a autoria dos trabalhos e as respostas dos alunos, pois o professor pode acompanhar diretamente a execução das provas e atividades. Porém, na EaD, isso se torna um desafio, uma vez que não há um acompanhamento simultâneo das atividades on-line. Para mitigar esse problema, podem ser utilizadas ferramentas antifraude, como verificadores de plágio e softwares de supervisão. Contudo, essas soluções não são infalíveis e podem gerar desconforto e questionamentos sobre a privacidade dos estudantes.

Por fim, é importante destacar as diferenças de natureza colaborativa entre o presencial e a EaD. A colaboração entre alunos é mais fácil de ser incentivada e acompanhada no ensino presencial, uma vez que a interação ocorre de maneira direta. No entanto, na EaD, a colaboração depende de tecnologias como fóruns, videoconferências e ferramentas de edição compartilhada. Apesar de eficientes, esses recursos podem apresentar desafios, como dificuldades de coordenação entre os alunos e a falta de engajamento devido à distância física, exigindo dos professores seu papel mediador nesse processo.

Título: Semelhanças e diferenças entre a Educação Presencial e Educação a Distância
Fonte: Prosa (2025h).

Em conclusão, as diferenças entre a avaliação presencial e à distância refletem os desafios e benefícios de cada contexto de ensino. Enquanto a presencialidade favorece a interação direta, o acompanhamento mais eficaz e a adaptação imediata das avaliações, na EaD é permitida maior flexibilidade, acessibilidade e utilização de ferramentas tecnológicas avançadas para otimizar a avaliação. No entanto, a autonomia exigida na EaD pode ser um desafio para alguns alunos, assim como a autenticidade das avaliações pode ser um desafio para o professor. O ideal é buscar um equilíbrio entre as vantagens de cada situação, utilizando tecnologias de forma estratégica para aprimorar a experiência educacional.

Para refletir: ensino e aprendizagem da EaD na EPT

Juntamente com a publicação da Nova Política de EaD em 2025, o MEC publicou o documento “Referenciais de qualidade de cursos de graduação com oferta a distância”, que traz orientações sobre a oferta de cursos superiores a distância. O item “Ensino e Aprendizagem”, na página 24 do documento, levanta importantes discussões sobre as temáticas que temos discutido neste capítulo.

Convidamos você, cursista, a acessar o documento e ler os seguintes tópicos:

  • 6.1 Dinâmica dos processos de ensino e aprendizagem
  • 6.4 Plataformas tecnológicas digitais de ensino
  • 6.5 Avaliação do estudante

Na sequência, faça uma reflexão sobre a importância destes critérios para a efetivação de um processo de ensino aprendizagem inclusivo e efetivo, considerando o conceito de Avaliação Formativa e os outros temas trabalhados no capítulo. Além disso, destacamos uma das mudanças em relação às regulamentações anteriores, que é a obrigatoriedade da realização de avaliações presenciais no polo a cada 10 semanas. Você acredita que esse critério, a princípio adotado em cursos superiores, também faz sentido para os outros contextos da EPT?

Registre as observações em seu Memorial e/ou siga as orientações de seu professor e/ou tutor.

No próximo capítulo, discutiremos sobre como podemos realizar, de fato, a partir de uma abordagem instrumental – necessária para o domínio do professor no uso do ambiente virtual –, as diversas formas de avaliação da aprendizagem discutidas aqui com os instrumentos disponíveis nos ambientes virtuais de aprendizagem.