A avaliação da aprendizagem e a EPT

De acordo com as diretrizes da PNFPEPT, a avaliação da aprendizagem pode ser entendida como um processo sistemático e contínuo que recupera o sentido ontológico  do trabalho e, assim, busca articular as dimensões culturais, científicas e tecnológicas na formação integral do ser humano.

Fundamentada nos princípios dessa política, a avaliação busca:

  • Promover a formação humana integral, considerando múltiplos aspectos do aprendizado e desenvolvimento dos estudantes para além do domínio técnico, abrangendo o desenvolvimento de sua capacidade de análise crítica, autonomia e engajamento social.
  • Integrar o trabalho como princípio educativo, considerando o ser humano como produtor de sua realidade, capaz de compreendê-la e de transformá-la.
  • Valorizar a prática social como produtora de conhecimentos, reconhecendo as experiências e saberes dos estudantes como ponto de partida para a aprendizagem e avaliando a capacidade de desenvolver conhecimentos para solucionar problemas concretos em seus contextos sociais e profissionais.
  • Estimular a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, incentivando a investigação como parte do processo avaliativo, a aplicação dos conhecimentos em projetos práticos e a reflexão sobre a própria prática para a melhoria contínua.
  • Empoderar o educando como produtor de conhecimentos, fomentando a autonomia, a reflexão crítica e a participação ativa no processo de aprendizagem, inclusive através de métodos de autoavaliação e de avaliação colaborativa, com pareceres personalizados que orientam e impulsionam o desenvolvimento individual e coletivo.

Na EPT, contexto em que este curso se insere, demanda-se uma abordagem pedagógica que considere as particularidades dessa modalidade de ensino sob a perspectiva da formação humana integral. Nesse sentido, a EPT não se limita ao domínio teórico e à aplicação prática de conhecimentos, mas visa, fundamentalmente, ao desenvolvimento pleno dos estudantes em diversas dimensões. O objetivo é formar cidadãos críticos, criativos, autônomos e engajados socialmente, capazes de atuar como sujeitos ativos e transformadores da sociedade, indo além do mero preparo para o mundo do trabalho. Almeja-se uma EPT de qualidade social, pautada na liberdade acadêmica e no questionamento da lógica mercadológica, com uma formação que articule o trabalho como princípio educativo em sua perspectiva ontológica, integrando ciência, tecnologia e cultura para a emancipação humana.

Nesse sentido, é fundamental compreender a avaliação como parte inseparável da EPT, reconhecer as diversidades culturais como forma de ampliação do conhecimento e da experiência humana e priorizar o combate à desigualdade social.

Mais do que os debates e diálogos sobre o ato de avaliar, o histórico de fracassos escolares demonstra que a tarefa de avaliar não pode ser resumida em apenas aplicar provas, emitir notas, classificar e aprovar ou reprovar alunos. Em vez disso, deve ser um processo abrangente que considera múltiplos aspectos do aprendizado e do desenvolvimento dos estudantes.

Para refletir: fracassos da história educacional brasileira

Título: O sistema e o fracasso escolar por Paulo Freire

Nesse vídeo, Paulo Freire (2021) conceitua e reflete sobre o processo do fracasso escolar. Assistindo o conteúdo, e considerando sua experiência profissional, quais você avalia como sendo os principais fatores que produzem o fracasso escolar? 

Registre suas anotações em seu Memorial e/ou siga as orientações de seu tutor. Ao longo desta UT, você poderá acrescentar novas observações. 

A evasão escolar nos diversos níveis de ensino envolve vários aspectos que, neste momento, não convém aprofundarmos. Mas, de fato, a EaD possui o tema evasão como uma sombra em seu percurso histórico. Este assunto é um desafio significativo enfrentado por instituições educacionais em todo o mundo.

Cabe a nós, como educadores, auxiliarmos no combate à evasão na EaD, apesar de sabermos que os fatores envolvem motivos pessoais e sociais, desafios tecnológicos e características de cada aluno. Em referências como Fonseca (2015), Costa e Santos (2017) e Silva et al. (2022), que abordam experiências de outros cursos, podemos verificar a pertinência das diretrizes da PNFPEPT para a elaboração dos projetos pedagógicos. Nessas experiências, enfatiza-se a necessidade de analisar dados de desempenho específicos da EaD para a tomada de decisão e implementação de estratégias. A evasão é um indicador crucial de desempenho que necessita ser monitorado e compreendido para promover melhorias.

Título: A evasão escolar na Educação a Distância
Fonte: Prosa (2025a).

Enquanto equipe multidisciplinar, é possível mitigar a evasão com ações de apoio pedagógico e tecnológico, grupos de estudos e promoção de atividades que possam aumentar o sentimento de pertencimento. Além disso, a aplicação de técnicas de aprendizado de máquina para prever quais alunos estão em risco de evasão pode auxiliar as instituições a desenvolverem estratégias proativas para manter os alunos engajados, como pode ser visto em Nogueira et al. (2020) e Freitas, Gouveia e Soares (2020).

A própria presença de mediadores pedagógicos, tutores e outros apresenta um mecanismo de suporte que pode contribuir para a permanência dos estudantes. A PNFPEPT reconhece, de forma explícita, que um dos principais desafios para a implementação da política está diretamente vinculado ao fortalecimento de estratégias que garantam não somente o acesso aos novos cursos, mas, sobretudo, uma formação humana integral aos profissionais formados pela EPT, de forma a enfrentar e a combater os altos índices de abandono e de evasão nos cursos de formação à distância.

Enquanto mediadores da avaliação da aprendizagem, seja esta conduzida na educação a distância ou no presencial, podemos contribuir através de ações que envolvam diagnósticos, acompanhamento, verificação de resultados, intervenção e melhoria. Veja o infográfico a seguir:

card do curso

Título: Processo de Avaliação de Aprendizagem 
Fonte: Luckesi (2011). 
Elaboração: Prosa (2025b).

Nesse sentido, Luckesi (2011) defende que a avaliação deve ser diagnóstica, processual e intervencionista, visando promover melhorias no processo de ensino-aprendizagem, seja na modalidade presencial ou na educação a distância. Essa perspectiva se alinha com a ênfase do projeto pedagógico desse curso para o acompanhamento do desenvolvimento humano integral dos estudantes.