O ensino remoto emergencial e a EaD
Estudantes em todo o mundo foram impactados pela pandemia de Covid-19, o que levou instituições educativas a adotarem plataformas digitais como solução emergencial, viabilizando o que foi determinado na época como ensino remoto emergencial. Isso difere do que já apresentamos sobre a Educação a Distância, porque a EaD possui modelo estruturado, planejamento e preparação de material didático específico para essa finalidade e uma equipe multidisciplinar responsável por todo o processo, desde a formação de professores e tutores, até a escolha da plataforma adotada pela instituição.

Título: Principais diferenças entre o Ensino Remoto Emergencial (ERE) e a Educação a Distância (EaD)
Fonte: Prosa (2025c).
No contexto das instituições públicas, a EaD eliminou barreiras geográficas e financeiras, permitindo que pessoas de diferentes realidades socioeconômicas tenham acesso à educação. Apesar disso, ainda persistem muitos desafios, como o acesso à internet, a disponibilidade de dispositivos adequados, a falta de polos de apoio presencial próximos à localidade dos estudantes e de infraestrutura institucional adequada, entre outros.
Universidades e plataformas como Coursera, Udemy, edX e Khan Academy oferecem cursos gratuitos ou de baixo custo, tornando o acesso a determinados conhecimentos mais amplo. No Brasil, programas como a Universidade Aberta do Brasil (UAB) contribuíram para a expansão da EaD, atingindo regiões com escassez de instituições presenciais. O Sistema UAB é um programa que busca ampliar e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior por meio da EaD, compondo um sistema nacional integrado por instituições públicas, instituído pelo Decreto n° 5.800, em 8 de junho de 2006 (Brasil, 2006). Programas como este tiveram e ainda têm um papel relevante na democratização do acesso, contribuindo para a ampliação da oferta de cursos e de vagas na EaD.
O sistema UAB é integrado por universidades públicas que oferecem cursos superiores por meio da educação a distância, prioritariamente, para a formação inicial e continuada de professores da educação básica, assim como de diretores, gestores e trabalhadores em educação dos estados, dos municípios e do Distrito Federal. Atualmente, conta com 141 Instituições Públicas de Ensino Superior (IPES), 913 ofertas ativas (entre licenciatura, bacharelado, tecnológico e especialização) e 974 polos. Assim, o Sistema UAB propicia a articulação, a interação e a efetivação de iniciativas que estimulam a parceria dos três níveis governamentais (federal, estadual e municipal) com as instituições públicas de ensino superior.
Ao levar a universidade pública de qualidade a locais distantes e isolados, o programa incentiva o desenvolvimento de municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Desse modo, a UAB funciona como um instrumento para a universalização do acesso ao ensino superior, dispensando a necessidade de deslocamento para grandes centros urbanos em busca de cursos de graduação.
É importante ressaltar que o modelo de atuação estabelecido pela UAB, que inclui as figuras do professor-formador, do professor-conteudista e dos tutores a distância e presenciais, não é o único modelo adotado pelas instituições. Embora seja o modelo fomentado pela CAPES, ele é frequentemente adaptado em várias situações específicas das instituições, sem ou com apoio de outras fontes. Nesses casos, o professor pode assumir o papel de tutor, e outras nomenclaturas podem ser necessárias em cursos que exigem atividades em laboratórios ou que possuem outras especificidades. Além disso, em instituições de ensino privadas, geralmente, outras nomenclaturas e estruturas pedagógicas são utilizadas.
Apesar dos benefícios, a ampliação do número de cursos e vagas na EaD gera debates sobre qualidade do ensino e evasão. Um estudo da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), o Relatório analítico da aprendizagem a distância no Brasil, aponta que a evasão em cursos EaD pode ultrapassar 50%. Isso ocorre devido à falta de adaptação ao contexto de ensino, à pouca interação direta com professores e colegas, à necessidade de autodisciplina, a dificuldades tecnológicas e a motivos pessoais. Esse crescimento exponencial da EaD levanta importantes questões sobre a manutenção da qualidade do ensino e as altas taxas de evasão observadas. Nesse contexto, qualidade de ensino refere-se à garantia de que, apesar da ampliação, ainda serão asseguradas boas condições de materiais didáticos, metodologias adequadas, docentes e tutores capacitados e suporte constante ao estudante em suas realidades.
É por esse motivo que o acompanhamento ao estudante na EaD é tão particular. Em várias instituições, ele pode ser feito com equipes dedicadas exclusivamente a essa função, em outras, pode ser feito pelo coordenador do curso ou por uma equipe multidisciplinar. É indispensável acompanhar esses estudantes em seus percursos, independentemente do contexto de ensino empregado. Na EaD, devido às suas características, essa supervisão é fundamental para garantir uma melhoria geral na qualidade do ensino.
Para refletir: prática docente da EaD na EPT
Diante do que discutimos até aqui, reflita sobre qual o papel da prática docente e de outros profissionais da EPT na formação dos estudantes na EaD, considerando seus contextos sociais e os diversos atravessamentos e desafios que perpassam a EaD. Nesta reflexão, você também pode trazer suas experiênias profissionais, analisando como a EaD funciona nas instituições que você atua ou já atuou, e propondo sugestões de práticas pedagógicas que busquem contornar as dificuldades enfrentadas.
Registre as reflexões no seu Memorial e/ou siga as orientações de seu professor e/ou tutor.